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Projeto já levou a indústria a 42 mil estudantes portugueses

Robótica, prototipagem e contacto direto com empresas estão a mudar a forma como os jovens veem a indústria portuguesa.

13 de Agosto 2026 | Notícias

Robótica, prototipagem e contacto direto com empresas estão a substituir a imagem antiga da indústria portuguesa por uma mais tecnológica e atrativa. Falámos com Sofia Pelayo, coordenadora do Pense Indústria no CITEVE, sobre este percurso.

A indústria portuguesa está cada vez mais tecnológica, criativa e sustentável — mas nem sempre é essa a imagem que chega às escolas. O Pense Indústria, liderado pelo CITEVE em consórcio com o CTCP, o CATIM, o CTCOR e o CENTIMFE, nasceu precisamente para desconstruir essa perceção desatualizada, aproximando jovens e escolas dos ecossistemas industriais através de laboratórios tecnológicos, visitas de imersão e iniciativas como o STEM Racing e o Hackathon “Isto É Uma Ideia”. Nesta edição, o projeto já chegou a cerca de 42 mil estudantes em todo o país.

Para perceber como nasceu esta iniciativa, o que a torna diferenciadora e que balanço se pode já fazer, entrevistámos Sofia Pelayo, coordenadora do Pense Indústria no CITEVE.

Como nasceu o projeto?

O Pense Indústria nasceu da necessidade de aproximar os jovens da indústria portuguesa e de transformar a perceção, ainda hoje muitas vezes desatualizada, sobre o setor. A indústria desempenha, cada vez mais, um papel fundamental na economia nacional, na criação de emprego qualificado, na capacidade exportadora, na inovação e na valorização dos diferentes territórios. No entanto, enfrenta desafios significativos na atração, qualificação e renovação de talento.

Perante esta realidade, os Centros Tecnológicos uniram esforços e competências para mostrar aos estudantes que a indústria atual é muito diferente da imagem tradicionalmente associada ao setor. Ela é hoje tecnológica, criativa, digital e sustentável, onde se cruzam áreas como a ciência, a engenharia, o design, a robótica, os novos materiais, a automação e a economia circular.

O Pense Indústria surge, assim, para aproximar jovens e escolas dos ecossistemas industriais, dando a conhecer não apenas as profissões existentes, mas também as competências que serão necessárias para responder aos desafios do futuro. Esta missão assume uma relevância ainda maior no atual contexto europeu, marcado pela necessidade de reforçar a inovação, aumentar a produtividade, acelerar a descarbonização e reduzir dependências estratégicas.

Nesta edição, liderada pelo CITEVE e desenvolvida em consórcio com o CTCP, o CATIM, o CTCOR e o CENTIMFE, reforçámos esta visão através das dimensões das pessoas, da digitalização e da sustentabilidade, em linha com os princípios da Indústria 5.0. O objetivo é proporcionar aos jovens um contacto próximo, prático e informado com diferentes áreas industriais, permitindo-lhes compreender como se desenvolvem produtos, como são aplicadas as novas tecnologias e que oportunidades académicas e profissionais podem encontrar na indústria.

O Pense Indústria procura despertar vocações, desenvolver competências e contribuir para a preparação de uma nova geração capaz de participar ativamente na transformação e na competitividade da indústria portuguesa.

O que o torna diferenciador?

O principal elemento diferenciador do Pense Indústria é a sua abordagem prática, próxima e experimental. Não nos limitamos a falar sobre a indústria ou a apresentar conceitos de forma abstrata: damos aos jovens a oportunidade de experimentar tecnologias, conhecer empresas, contactar diretamente com profissionais e transformar ideias em soluções concretas.

Através das sessões de sensibilização, dos Laboratórios Tecnológicos 5.0, das visitas de imersão e de iniciativas como o STEM Racing e o Hackathon de Empreendedorismo “Isto É Uma Ideia”, os estudantes descobrem como são desenvolvidos produtos, como funcionam os processos industriais e de que forma a criatividade, a ciência, a engenharia e a sustentabilidade se cruzam na indústria atual. Simultaneamente, desenvolvem competências em áreas como a robótica, a modelação e impressão 3D, a prototipagem, a digitalização, o empreendedorismo, a comunicação, a resolução de problemas e o trabalho em equipa.

Esta abordagem assume particular relevância no atual contexto europeu. O futuro da competitividade da Europa depende da capacidade de reforçar a inovação, acelerar a descarbonização da economia, aumentar a produtividade e reduzir dependências estratégicas. Para responder a estes desafios, é fundamental desenvolver novas competências e aproximar o talento dos setores capazes de gerar tecnologia, conhecimento e valor acrescentado.

O Pense Indústria atua precisamente nesta ligação entre os jovens, as competências e os ecossistemas industriais. Ao proporcionar um contacto direto com diferentes realidades produtivas e tecnológicas, permite desconstruir perceções desatualizadas sobre o setor e revelar a diversidade de percursos académicos e profissionais que a indústria oferece.

É também um projeto diferenciador pela sua dimensão nacional, pela participação gratuita dos estudantes e pela capacidade de mobilizar escolas, empresas, Centros Tecnológicos, instituições de ensino e outros parceiros em torno de um objetivo comum: valorizar a indústria portuguesa, torná-la mais próxima e atrativa para as novas gerações e despertar o interesse dos jovens por áreas ligadas à produção, à tecnologia e à inovação.

Que balanço faz do ponto de situação atual?

O balanço é muito positivo. Ao longo desta edição, o Pense Indústria alcançou cerca de 42 mil estudantes em todo o país, através de um conjunto diversificado de ações de sensibilização, experimentação tecnológica e contacto direto com empresas, profissionais e ambientes industriais.

Temos assistido a uma grande curiosidade relativamente às tecnologias, aos processos produtivos e às oportunidades académicas e profissionais associadas à indústria. Os estudantes têm demonstrado capacidade para trabalhar em equipa, desenvolver ideias, resolver problemas e apresentar soluções para desafios relacionados com a digitalização, a sustentabilidade e a inovação.

O projeto tem contribuído também para desconstruir uma visão ultrapassada da indústria. Hoje, as empresas industriais integram automação, inteligência artificial, design, ciência de dados, novos materiais, economia circular e processos produtivos cada vez mais eficientes e sustentáveis. A indústria não representa apenas uma parte fundamental do passado produtivo do país; é também uma dimensão decisiva do seu futuro económico, tecnológico e social.

O trabalho realizado confirma, por isso, a relevância de continuarmos a reforçar a ligação entre a educação, o conhecimento e o tecido empresarial. Portugal dispõe de uma base industrial diversificada, de Centros Tecnológicos especializados e de empresas com capacidade para inovar e competir internacionalmente. Para preservar e desenvolver este património, precisamos de uma nova geração mais informada, qualificada e motivada para participar ativamente na transformação da indústria.

O apoio do COMPETE 2030 e do Fundo Social Europeu Mais tem sido determinante para assegurar a abrangência, a qualidade e a continuidade deste trabalho, permitindo dar escala a esta missão e contribuir para uma indústria mais inovadora, sustentável, competitiva e centrada nas pessoas.

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