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Uma nova abordagem para a Circularidade de resíduos poliméricos hospitalares

O projeto CIRPOL está a desenvolver uma solução inovadora para valorizar resíduos hospitalares poliméricos contaminados, transformando-os em novos recursos e promovendo uma maior circularidade no setor da saúde.

2 de Abril 2026 | Notícias

O projeto CIRPOL centra-se no desenvolvimento de um novo processo/solução, não existente no mercado, para o tratamento, conversão e valorização de resíduos poliméricos contaminados e de difícil circularidade, com foco para os resíduos de origem hospitalar. Pretende alcançar a valorização integral destes e recuperação de compostos farmacêuticos através da despolimerização desses resíduos.

É um projeto liderado pela OPRIMEE com o suporte do sistema científico e tecnológico da Universidade do Minho e da Universidade do Porto.

O Problema dos resíduos hospitalares

Os países desenvolvidos produzem até quase 11 kg de resíduos perigosos por cama de hospital por dia (kg/cama/dia), enquanto nos países em desenvolvimento a taxa de produção varia até 6 kg. Dos resíduos plásticos adicionais gerados durante a pandemia, cerca de 87,4% tiveram origem em instituições de saúde, incluindo equipamento de proteção individual (como máscaras, luvas higiénicas e proteções faciais).

Os tipos mais comuns de tratamentos de resíduos contaminados no sector da saúde são: i) os tratamentos à base de vapor, peróxido de hidrogénio, ii) aterro (problema das metas europeias) ou iii) em processos de incineração/combustão direta. Por conseguinte, gestões ineficientes e incorretas originam a eliminação de recursos e materiais, como neste caso os poliméricos, e ameaçam a capacidade de independência de recursos e os objetivos de cumprir metas de descarbonização.

João Nunes, Fundador e CEO da OPRIMEE, sustenta que “As diretrizes e orientações Europeias estão cada vez mais a pressionar o mercado para encontrar soluções alternativas ao aterro e incineração para a valorização e gestão circular dos seus resíduos, que não a sua deposição em aterro ou incineração. Devemos ter ambição de alcançar o máximo de circular, mas a noção que por vezes não é possível a curto prazo alcançar os 100% de circularidade ou mais de 95%, e que devemos evoluir por etapas.”

Inovação disruptiva a nível internacional

O projeto CIRPOL apresenta, assim, como inovação diruptiva a nível internacional:

  1. Não necessita de separação dos resíduos poliméricos e possibilita eliminar o problema da contaminação biológica, possibilitando taxas de circularidade de 95% em massa;
  2. A solução tecnológica está preparada para separar e tratar a fração líquida presente nos resíduos;
  3. É possível uma pré-trituração dos resíduos, mesmo na presença de metais com elevada dureza; e
  4. Os resíduos são transformados numa fração líquida valorizável em produtos intermédios reciclados que possam ser novamente integrados na atividade económica, de forma segura para a saúde pública e ambiental.

Economia Circular em ação

Os resíduos hospitalares alvo e de arranque, e considerados no âmbito do projeto CIRPOL são, i) ao nível da celulose, as batas e compressas e outros similares com possibilidade de contaminação química e/ou biológica, e ii) ao nível dos polímeros sintéticos, as seringas, frascos de soro e tubos de indução de medicamentos em utentes. Estes irão ser valorizados para dois segmentos de mercado: a (1) indústria química, como “bulk chemicals”; (2) indústrias dos materiais, com o desafio de obter aplicações de uso hospitalar.

“Portugal apresenta um grande atraso na transição para a Economia Circular em relação à média Europeia, com uma taxa de circularidade de 2,8% face à média europeia que se situa em valores superiores a 12%. A Economia Circular é uma aposta estratégica para o posicionamento de Portugal a nível internacional e para a criação de valor e independência externa de recursos, nascimento de novas indústrias, produtos, serviços e economia, mas estamos muito longe do nosso potencial. É aí que também nos devemos focar. O Projeto CIRPOL é um excelente exemplo de como colocar a Economia Circular em ação, a favor do ambiente, mas também da economia e indústria” refere João Nunes.

Apoio decisivo para alavancar a transição para o mercado

O financiamento do COMPETE 2030 tem sido determinante e permitiu acelerar a investigação e transitará de conhecimento prévio desenvolvido pela OPRIMEE a uma TRL 3/4 para uma TRL 6/7 de demonstrador, com capacidade de tratar 10kg/h de resíduos hospitalares contaminados e de difícil circularidade, fazendo a sua validação para entrada no mercado.

Segundo João Nunes, “O COMPETE 2030 é um motor de alavancagem à validação e Scaleup tecnológico de soluções estratégicas e disruptivas para o país, porque é um financiamento assente no risco e onde o mercado de financiamento não tem resposta, sem o qual dificilmente existiria musculo financeiro para a validação tecnológica numa fase de elevado risco e prévia à entrada de mercado. Portugal ainda é um país com um mercado financeiro assente em pressupostos de pouco risco. Senão arriscamos e não temos capacidade em escala de financiamento de risco, não podemos ser competitivos e crescer economicamente e melhorar a qualidade de vida das pessoas com uma política de melhores salários”.

Links

OPRIMEE | Website

Universidade do Minho | Website

Universidade do Porto | Website

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