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Projeto rEGraph transforma resíduos de grafite em recurso para a indústria dos moldes 

Esta operação criou uma plataforma automatizada capaz de reaproveitar elétrodos usados e reduzir o impacto ambiental deste material crítico.

12 de Março 2026 | Notícias

Uma nova solução tecnológica quer mudar a forma como a grafite é utilizada na produção industrial. A operação rEGraph está a desenvolver uma plataforma automatizada capaz de reaproveitar elétrodos usados e reduzir o impacto ambiental deste material crítico. 

Cofinanciada pelo COMPETE 2030, a iniciativa aposta na inovação para tornar a indústria dos moldes mais sustentável e eficiente. Para isso, está a criar uma plataforma digital capaz de monitorizar, armazenar e reutilizar elétrodos de grafite ao longo do seu ciclo de vida. 

Ao integrar inteligência artificial, bases de dados tridimensionais e algoritmos de análise geométrica, o projeto pretende identificar novas aplicações para estes componentes após a sua utilização inicial. Assim, abre caminho a novas práticas de circularidade na produção industrial. 

Um desafio ambiental para a indústria 

A grafite tem um papel essencial na produção de moldes, ferramentas e componentes industriais. No entanto, os elétrodos fabricados com este material são, atualmente, de utilização única. 

Depois de usados, tornam-se resíduos industriais difíceis de valorizar. Como resultado, muitos acabam depositados em aterro, aumentando a pegada ecológica do setor. 

Além disso, não existe ainda um sistema eficaz de rastreamento deste material ao longo da cadeia produtiva. Esta lacuna limita a monitorização do seu destino final e agrava os desafios ambientais associados. 

Neste contexto, o projeto rEGraph propõe uma mudança de paradigma. O objetivo é recuperar e valorizar materiais que hoje ainda são considerados desperdício. 

Tecnologia para reutilizar e gerar valor 

A plataforma em desenvolvimento permitirá analisar as características físicas e químicas dos elétrodos após a sua utilização. Em seguida, o sistema identifica possíveis reutilizações no fabrico de novos moldes ou componentes. 

Desta forma, as empresas podem reduzir resíduos, diminuir custos e melhorar a eficiência produtiva. Ao mesmo tempo, reforçam o compromisso com a economia circular e com a sustentabilidade ambiental. 

Pedro Sousa Pereira, Project Manager na Vangest, destaca a visão que está na origem da iniciativa. 

“O rEGraph nasce de uma convicção simples, mas profundamente transformadora: a de que o futuro da indústria dos moldes passa inevitavelmente pela capacidade de reutilizar, regenerar e valorizar os seus próprios recursos.” 

Segundo o responsável, a solução poderá transformar a forma como a grafite é gerida na produção industrial. 

“O rEGraph representa um salto tecnológico e ambiental para a indústria dos moldes: uma plataforma automatizada e inteligente que permitirá reutilizar elétrodos de grafite, monitorizar todo o seu ciclo de vida e introduzir novas práticas de circularidade com impacto real.” 

Inovação colaborativa com impacto no setor 

O projeto é liderado pela Moldata e reúne um consórcio de nove entidades com competências complementares. A colaboração entre empresas e entidades do sistema científico é central para alcançar os objetivos definidos. 

A solução integra tecnologias avançadas, como inteligência artificial, Big Data e Advanced Analytics. Por isso, posiciona o projeto na linha da frente da inovação industrial. 

“O rEGraph está a criar conhecimento, gerar inovação industrial, reduzir resíduos, capacitar empresas portuguesas e posicionar Portugal como referência europeia na indústria dos moldes”, sublinha Pedro Sousa Pereira. 

Apoio do COMPETE 2030 impulsiona a inovação 

O apoio do COMPETE 2030 foi determinante para o desenvolvimento do projeto. O financiamento permitiu realizar atividades de investigação, desenvolver protótipos e preparar a aplicação da solução em ambiente industrial. 

“O apoio do programa COMPETE 2030 foi mais do que um instrumento financeiro: foi um catalisador estratégico que permitiu transformar uma visão técnica numa solução industrial concreta”, afirma o responsável. 

Com esta iniciativa, o consórcio pretende contribuir para uma indústria mais competitiva, digital e sustentável. Ao mesmo tempo, reforça o posicionamento de Portugal num dos setores mais relevantes da sua base exportadora. 

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