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Novo projeto transforma resíduos em materiais automóveis

Resíduos agrícolas dão origem a biocompósitos automóveis no projeto BIOCOMPOSITE.

26 de Março 2026 | Notícias

A operação BIOCOMPOSITE, promovida pela Componit e desenvolvida em copromoção com a Universidade de Coimbra, surge como uma resposta inovadora aos desafios da sustentabilidade na indústria dos materiais, em particular no setor automóvel. O projeto aposta no desenvolvimento de biocompósitos sustentáveis, combinando poliésteres biobaseados e biodegradáveis com fibras naturais obtidas a partir de resíduos agroindustriais, contribuindo para a redução do impacto ambiental associado aos materiais plásticos convencionais.

De acordo com João Pereira, responsável pelo projeto, “o BIOCOMPOSITE tem como objetivo desenvolver novos materiais compósitos sustentáveis, baseados em poliésteres de origem renovável e reforçados com fibras naturais provenientes de resíduos agroindustriais, capazes de responder às exigências técnicas da indústria automóvel”. O investigador destaca ainda que esta abordagem procura não apenas substituir materiais de origem fóssil, mas também valorizar subprodutos agrícolas, transformando-os em recursos de elevado valor tecnológico.

O projeto explora o potencial de resíduos abundantes em Portugal, como o carolo de milho, a casca de arroz e o bagaço de azeitona, a partir dos quais são extraídas fibras de celulose que podem ser utilizadas como reforço nos novos materiais compósitos. Esta estratégia permite reduzir desperdícios e promover uma utilização mais eficiente dos recursos disponíveis, alinhando-se com os princípios da economia circular.

Numa fase inicial, os trabalhos centram-se na avaliação do mercado e na identificação dos materiais biodegradáveis mais adequados para a produção dos biocompósitos. Entre os polímeros estudados destacam-se o PBAT, PBS e PLA, poliésteres biodegradáveis com propriedades mecânicas e térmicas promissoras para aplicações industriais. Paralelamente, decorre a investigação laboratorial para a síntese de novos poliésteres biobaseados mais hidrofílicos, capazes de interagir de forma mais eficiente com as fibras naturais.

Outro dos eixos fundamentais do projeto passa pela criação de compatibilizantes de base poliéster, que permitem melhorar a interação entre a matriz polimérica e as fibras naturais. Este passo é essencial para garantir que os biocompósitos resultantes apresentam boas propriedades mecânicas e estabilidade estrutural, requisitos fundamentais para aplicações exigentes como componentes automóveis.

Segundo João Pereira, o acompanhamento próximo do trabalho científico é essencial para garantir o sucesso da iniciativa: “Acompanhamos de forma contínua o desenvolvimento experimental do projeto, desde a síntese dos novos poliésteres até à produção e caracterização dos biocompósitos, assegurando que cada etapa contribui para alcançar materiais com desempenho adequado às exigências da indústria automóvel.”

Posteriormente, os materiais desenvolvidos são processados através de técnicas como extrusão e injeção, permitindo produzir provetes e avaliar propriedades térmicas, mecânicas e morfológicas. Os resultados preliminares indicam que a incorporação de fibras naturais pode aumentar a rigidez dos compósitos, contribuindo para o desenvolvimento de materiais leves e resistentes, adequados para diferentes componentes de veículos.

 “Este projeto conta com o apoio financeiro do COMPETE 2030, que desempenha um papel fundamental na concretização desta iniciativa. Ao financiar o BIOCOMPOSITE, o COMPETE 2030 não só viabiliza o desenvolvimento e validação de novos biocompósitos sustentáveis, como também acelera a investigação e a transferência de conhecimento entre a indústria e o meio académico. Este apoio contribui para impulsionar a inovação tecnológica e promover a valorização de resíduos agroindustriais, reforçando o compromisso com a economia circular e com o desenvolvimento de materiais mais sustentáveis para aplicações industriais”, sublinha João Pereira.

Do ponto de vista estratégico, o BIOCOMPOSITE representa um passo importante para a transição para materiais mais sustentáveis na indústria. Ao articular investigação científica, valorização de resíduos agroindustriais e desenvolvimento tecnológico, o projeto cria novas oportunidades para reduzir a dependência de recursos fósseis e promover soluções inovadoras com menor pegada ambiental.

Graças a este esforço conjunto entre academia e indústria, espera-se que os biocompósitos desenvolvidos possam, no futuro, substituir materiais convencionais em aplicações automóveis, contribuindo para veículos mais leves, sustentáveis e alinhados com as exigências ambientais atuais.

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