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PME europeias reforçam competitividade num contexto de transformação

As PME europeias continuam a demonstrar resiliência e capacidade de crescimento, reforçando o seu papel como principal motor da economia da União Europeia num contexto de transformação digital, energética e geopolítica.

3 de Setembro 2026 | Notícias

As pequenas e médias empresas (PME) continuam a ser o principal motor da economia europeia. O Annual Report on European SMEs 2025/2026, publicado pela Comissão Europeia, revela que, apesar de um contexto internacional ainda marcado pela incerteza, as PME demonstraram uma capacidade de adaptação assinalável e deverão manter uma trajetória de crescimento em 2026. O relatório conclui que a competitividade futura destas empresas dependerá cada vez mais da produtividade, da inovação e da capacidade para aproveitar as oportunidades da transição digital e energética.

O pilar da economia da União Europeia

As PME representam 99,8% de todas as empresas da União Europeia, empregam cerca de 105,6 milhões de pessoas — quase dois terços do emprego empresarial — e geram mais de metade do valor acrescentado da economia europeia. Só as microempresas, com menos de dez trabalhadores, correspondem a 94,5% do universo empresarial.

Crescimento resiliente apesar dos desafios

Embora os efeitos mais imediatos da pandemia e da crise inflacionista tenham sido ultrapassados, as PME continuam a enfrentar desafios relevantes. A volatilidade dos preços da energia, as tensões geopolíticas, o aumento das tarifas comerciais e as dificuldades no acesso ao financiamento continuam a pressionar os custos de contexto e a limitar a capacidade de investimento.

Ainda assim, a evolução económica tem sido favorável. Em 2025, o valor acrescentado real das PME cresceu 2,5%, o emprego aumentou 1% e o número de empresas registou uma subida de 1,8%. Para 2026, a Comissão Europeia prevê uma aceleração moderada, com o valor acrescentado a crescer 2,9% e o emprego 1,1%.

As PME deverão ser responsáveis por cerca de 65% dos novos postos de trabalho criados na economia europeia em 2026, contribuindo igualmente para mais de metade do aumento esperado do valor acrescentado. Entre os fatores que sustentam esta evolução estão a redução gradual dos custos de financiamento, a resiliência do mercado de trabalho e o impacto dos investimentos apoiados por instrumentos europeus, como o Mecanismo de Recuperação e Resiliência.

Setores estratégicos ganham dinamismo

As PME continuam a desempenhar um papel dominante em ecossistemas como o comércio, a construção, o turismo e os têxteis, concentrando a maior parte do emprego e da criação de valor nestas atividades.

Contudo, é noutros setores que se observam alguns dos maiores ritmos de crescimento. Em 2025, destacaram-se as indústrias culturais e criativas, a economia social e de proximidade, a saúde, o turismo e o ecossistema digital. Para 2026, as previsões apontam para crescimento do valor acrescentado em todos os 14 ecossistemas industriais analisados.

O relatório sublinha igualmente o potencial de setores considerados estratégicos para a autonomia e competitividade da União Europeia, como a indústria aeroespacial e da defesa, as energias renováveis e o digital. Embora nestas áreas predominem as grandes empresas, as PME deverão crescer mais rapidamente em valor acrescentado, reforçando o seu contributo para cadeias de valor cada vez mais inovadoras e tecnologicamente exigentes.

A produtividade será determinante

O tema central desta edição é a produtividade das PME. A Comissão Europeia considera que o seu aumento será decisivo para reforçar a competitividade da economia europeia, responder ao envelhecimento demográfico, acelerar a transição climática e digital e enfrentar um contexto internacional cada vez mais exigente.

Embora as grandes empresas apresentem, em média, níveis superiores de produtividade, o relatório conclui que essa diferença não depende apenas da dimensão das organizações. A adoção de tecnologias avançadas, nomeadamente inteligência artificial, bem como a especialização setorial e o contexto territorial, podem permitir às PME reduzir esse diferencial e, em alguns casos, responder às mudanças com maior rapidez do que empresas de maior dimensão.

O relatório destaca ainda que setores como as energias renováveis e o turismo apresentam alguns dos melhores desempenhos em termos de produtividade, demonstrando que a inovação e a incorporação de tecnologia podem traduzir-se em ganhos concretos de competitividade.

Um papel decisivo na economia europeia

O retrato traçado pela Comissão Europeia confirma que as PME permanecem no centro do desenvolvimento económico da União Europeia. A sua capacidade para criar emprego, gerar valor e adaptar-se a novas exigências continuará a ser determinante para o crescimento europeu.

Num contexto de transformação tecnológica, energética e geopolítica, investir na inovação, na produtividade e na redução dos obstáculos ao investimento será essencial para que estas empresas continuem a desempenhar o seu papel como principal motor da competitividade europeia.

Fonte: Annual Report on European SMEs 2025/2026, da Comissão Europeia

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