SICE - Inovação Produtiva - Territórios Baixa Densidade e Outros Territórios
Operações individuais de investimento produtivo em atividades inovadoras, promovidas por PME, nos territórios de baixa densidade e nos outros territórios.
O Relatório por País da Década Digital 2026 identifica os principais progressos e desafios de Portugal no cumprimento das metas europeias para 2030.

O Relatório por País da Década Digital 2026 reconhece os progressos de Portugal, mas alerta para a necessidade de acelerar a adoção de tecnologias avançadas pelas empresas e reforçar as competências digitais da população.
Portugal mantém elevada ambição digital
Portugal apresenta ativos importantes no processo de digitalização, destacando-se pela qualidade das infraestruturas de conectividade e pelo desempenho dos serviços públicos digitais destinados aos cidadãos e às empresas. Contudo, o país continua abaixo da média europeia na utilização de tecnologias de cloud e inteligência artificial pelo tecido empresarial.
Estas são algumas das principais conclusões do Relatório por País da Década Digital 2026, publicado pela Comissão Europeia. O documento avalia os progressos nacionais no cumprimento das metas definidas pelo programa Década Digital 2030.
Portugal estabeleceu 12 das 14 metas nacionais possíveis, estando 92% alinhadas com os objetivos europeus para 2030. O país encontra-se também no bom caminho relativamente a todos os pontos de trajetória definidos para 2025.
Das nove recomendações apresentadas pela Comissão Europeia em 2025, Portugal respondeu a 89%, através de alterações às políticas existentes ou da implementação de novas medidas. O roteiro nacional reúne um investimento público de cerca de 2,15 mil milhões de euros.
Conectividade mantém-se como um dos pontos fortes
A cobertura das redes fixas de capacidade muito elevada atingiu 97,1% em 2025, superando a média de 85,5% registada na União Europeia. A cobertura de fibra ótica até às instalações chegou aos 95,5%, enquanto a cobertura global de 5G alcançou 99,1%.
Também nas zonas pouco povoadas, Portugal apresenta resultados superiores à média europeia na cobertura das redes de capacidade muito elevada, fibra ótica e 5G. Persistem, contudo, dificuldades na disponibilização da faixa de frequências dos 3,4 aos 3,8 GHz nestes territórios.
A Comissão Europeia recomenda, por isso, que Portugal acelere a expansão desta faixa nas zonas rurais, promova redes 5G autónomas e continue a investir na segurança e resiliência do ecossistema de cabos submarinos.
Empresas avançam mas continuam abaixo da média europeia
A digitalização das empresas permanece como um dos principais desafios. Em 2025, 63,9% das PME portuguesas apresentavam, pelo menos, um nível básico de intensidade digital, abaixo da média europeia de 71,4% e ainda distante da meta de 90% prevista para 2030.
Portugal evidencia um desempenho positivo na análise de dados, utilizada por 45% das empresas, face a uma média europeia de 39,9%. A situação é menos favorável na adoção de serviços de cloud, que abrangem 34,1% das empresas portuguesas, contra 46,7% na União Europeia.
A utilização de inteligência artificial aumentou significativamente, passando de 8,6% para 11,5%, mas continua aquém da média europeia de 20%. Apesar do crescimento, o ritmo de adoção destas tecnologias em Portugal é inferior ao observado no conjunto da União Europeia.
O relatório salienta a importância de apoiar a transformação digital das PME, aplicar atempadamente as medidas previstas na Agenda Nacional de Inteligência Artificial e concretizar os planos relativos à infraestrutura nacional de cloud soberana.
Ecossistema de inovação ganha dimensão
Portugal registava, no início de 2026, dois unicórnios — a TEKEVER e a Feedzai — atingindo antecipadamente a meta nacional definida para 2030. A Estratégia Digital Nacional estabelece ainda o objetivo de alcançar, pelo menos, seis mil startups até ao final da década, partindo de uma base aproximada de 5.100 empresas.
Apesar destes progressos, o acesso a financiamento em fases mais avançadas e as barreiras à expansão no Mercado Único continuam a limitar o crescimento das empresas portuguesas. A Comissão recomenda o reforço da capacidade de crescimento das startups e scale-ups.
Competências digitais revelam desigualdades
Em 2025, 59,2% dos portugueses entre os 16 e os 74 anos possuíam, pelo menos, competências digitais básicas, ligeiramente abaixo da média europeia de 60,4% e da trajetória nacional de 62%.
Os jovens apresentam resultados particularmente positivos: 83,4% das pessoas entre os 16 e os 24 anos detêm competências digitais básicas, acima dos 74,6% registados na União Europeia. Em contrapartida, entre os 55 e os 74 anos, esta proporção desce para 31,9%.
Também permanecem diferenças significativas associadas ao nível de escolaridade e ao território. Nas zonas urbanas, 65,5% das pessoas possuem competências digitais básicas, enquanto nas zonas rurais esse valor é de 49,3%.
Para responder a estas desigualdades, o Plano de Ação do Pacto para as Competências Digitais 2026-2030 prevê um investimento de 80 milhões de euros em formação básica, intermédia, avançada e emergente.
Serviços públicos digitais acima da média
Os serviços públicos digitais continuam a ser uma das áreas de melhor desempenho. Portugal obteve 86,4 pontos em 100 nos serviços destinados aos cidadãos e 90 pontos nos serviços para empresas, superando as médias europeias em ambos os indicadores.
Nos serviços nacionais dirigidos às empresas, o país alcançou a pontuação máxima de 100 pontos. O acesso aos registos eletrónicos de saúde atingiu 92,2 pontos, também acima da média europeia de 86,5.
A Comissão destaca ainda o Portal GOV.PT, a Loja de Cidadão Virtual e a nova carteira digital da empresa como exemplos da evolução da Administração Pública digital.
Investimento deve acelerar a transformação
Portugal destina 4,7 mil milhões de euros, correspondentes a 21,5% do Plano de Recuperação e Resiliência, à transição digital. A este montante acrescem 2,3 mil milhões de euros da política de coesão.
O relatório conclui que Portugal reúne condições relevantes para avançar na Década Digital, apoiado por uma conectividade abrangente, serviços públicos digitais desenvolvidos e um ecossistema de inovação em crescimento. Para transformar estes ativos em maior competitividade, será essencial acelerar a adoção de tecnologias avançadas pelas empresas, reduzir as desigualdades nas competências digitais e reforçar a cibersegurança e a soberania tecnológica.
Consulte o Relatório Década Digital 2026: Portugal no site da Comissão Europeia.
01 de Outubro 2026
Operações individuais de investimento produtivo em atividades inovadoras, promovidas por PME, nos territórios de baixa densidade e nos outros territórios.