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Inteligência artificial transforma o polimento de diamantes

A operação DNXT.AI combina inteligência artificial e robótica para desenvolver um sistema de polimento de diamantes capaz de se adaptar às características de cada pedra.

15 de Outubro 2026 | Notícias

Mirko Sauer, CEO da Diamond NXT, apresenta a operação DNXT.AI – Solução integrativa de inteligência artificial para automatização de polimento de diamantes, promovida pela Diamond NXT e cofinanciada pelo COMPETE 2030. No seu testemunho, destaca a integração de inteligência artificial, visão computacional e robótica de precisão para tornar o polimento de diamantes mais inteligente, preciso e adaptativo.

O DNXT.AI nasce da vontade de transformar uma das etapas mais exigentes e ainda muito dependentes da experiência humana na indústria diamantífera: o polimento. É precisamente nesta fase que pequenas variações na pressão, no ângulo, na trajetória ou na leitura das características da pedra podem ter impacto direto na qualidade, no tempo de processamento e no valor final do diamante. O projeto procura, por isso, trazer para este processo uma nova lógica de produção, mais inteligente, precisa e consistente, através da combinação de inteligência artificial, visão computacional, robótica de precisão, sensorização e rastreabilidade digital.

Aquilo que consideramos particularmente diferenciador no DNXT.AI é justamente a forma como estas tecnologias são integradas. Não se pretende apenas automatizar uma sequência de operações previamente definida, mas desenvolver um sistema capaz de observar o que está a acontecer durante o próprio polimento, interpretar a informação recolhida e adaptar o processo às características específicas de cada pedra. A visão computacional e os sensores deverão alimentar os modelos de inteligência artificial, permitindo ajustar progressivamente a trajetória, a pressão, o ângulo e a velocidade de polimento e criar, assim, um processo mais adaptativo e menos dependente de ajustamentos exclusivamente manuais.

Esta ambição traduz-se em resultados muito concretos. Ao longo do projeto serão desenvolvidos modelos de visão computacional para identificar e analisar características relevantes dos diamantes, incluindo arestas, regiões de tensão e rugosidade das superfícies, sistemas de controlo robótico de elevada precisão, algoritmos de inteligência artificial para a definição e otimização das trajetórias de polimento e uma arquitetura de software capaz de assegurar a comunicação entre estas diferentes componentes. Paralelamente, será desenvolvida a componente de rastreabilidade baseada em blockchain, permitindo associar ao diamante informação sobre o próprio processo de transformação. O objetivo será, no final, integrar estes desenvolvimentos num protótipo funcional de polimento automático e validar o seu funcionamento em ambiente relevante.

Naturalmente, desenvolver uma solução com este nível de integração coloca desafios importantes. Um deles passa pela obtenção e tratamento de dados suficientemente representativos para treinar e validar os modelos de inteligência artificial, tendo em conta que cada diamante apresenta características próprias e que as condições de imagem e de superfície podem variar significativamente. Outro desafio está na integração entre componentes com naturezas e tempos de resposta muito diferentes, visão, sensores, inteligência artificial e robótica, que terão de funcionar de forma coordenada e com níveis elevados de precisão e segurança. A passagem dos desenvolvimentos laboratoriais para testes em contexto real será também determinante, porque é nesse momento que será necessário demonstrar que a solução mantém robustez, repetibilidade e desempenho fora de um ambiente controlado.

É também neste contexto que o apoio dos Fundos da União Europeia, através do COMPETE 2030, assume um papel particularmente relevante. Estamos perante um projeto de I&D com risco tecnológico significativo, em que existe uma distância real entre o conhecimento científico disponível e uma solução suficientemente madura para ser aplicada industrialmente. O apoio permite criar condições para percorrer esse caminho, aproximando a investigação desenvolvida pela Universidade da Beira Interior das necessidades concretas da Diamond NXT e permitindo que o conhecimento gerado seja progressivamente transferido e incorporado na empresa. Esta colaboração é essencial não apenas para desenvolver a tecnologia, mas também para reforçar competências internas, formar e integrar recursos humanos altamente qualificados e criar capacidade para continuar a evoluir e explorar os resultados depois do projeto.

No fundo, o contributo do COMPETE 2030 vai para além do financiamento das atividades previstas: permite reduzir o risco associado ao desenvolvimento de uma tecnologia desta complexidade, criar uma ponte efetiva entre ciência e indústria e dar à Diamond NXT condições para transformar conhecimento em capacidade tecnológica própria, com potencial de aplicação industrial e de valorização em mercados internacionais.

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