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Inovação cerâmica recupera água e reforça sustentabilidade industrial

Um projeto de I&D criou uma solução tecnológica para captar vapor gerado na secagem cerâmica e reutilizá-lo no processo produtivo.

19 de Março 2026 | Notícias

Um novo projeto de I&D apoiado pelo COMPETE 2030 está a desenvolver uma solução tecnológica para captar vapor gerado na secagem cerâmica e reutilizá-lo no processo produtivo, aumentando a eficiência hídrica da indústria.

Recuperar água onde antes se perdia

A indústria cerâmica enfrenta hoje um desafio crescente. Precisa de produzir mais, mas consumir menos recursos naturais. É neste contexto que surge a operação Ecoraschig, cofinanciada pelo COMPETE 2030. O projeto aposta na inovação para tornar os processos industriais mais eficientes e sustentáveis.

O objetivo é claro. Desenvolver uma solução tecnológica capaz de recuperar a água evaporada durante a secagem por atomização. Depois, essa água é reutilizada no próprio processo produtivo.

Assim, a tecnologia permitirá condensar o vapor gerado no atomizador, captando um recurso que hoje se perde na atmosfera.

Um recurso cada vez mais escasso

A água tornou-se um recurso crítico para muitas atividades industriais. Atualmente, apenas cerca de 3% da água disponível no planeta é doce. Além disso, o crescimento da população, a industrialização e as alterações climáticas aumentam a pressão sobre este recurso. Consequentemente, vários setores procuram novas soluções para reduzir consumos e melhorar a eficiência hídrica. A indústria cerâmica não é exceção.

Na produção de pavimentos e revestimentos, as matérias-primas são transformadas em barbotinas que contêm entre 30% e 35% de água. Durante a secagem por atomização, grande parte dessa água evapora. O vapor é libertado juntamente com os gases do processo. O projeto Ecoraschig pretende inverter essa lógica. A nova tecnologia permitirá recuperar parte dessa água e devolvê-la ao ciclo produtivo.

Tecnologia para processos mais eficientes

O sistema desenvolvido no âmbito do projeto utiliza um mecanismo de condensação integrado no atomizador. Este sistema permite capturar o vapor gerado durante a secagem. Em seguida, a água recuperada é reutilizada na preparação das pastas cerâmicas. Desta forma, o processo reduz significativamente a necessidade de água fresca.

Segundo José Silva, o projeto responde a desafios ambientais cada vez mais urgentes. “A crescente escassez de água e a necessidade de tornar os processos industriais mais sustentáveis colocam desafios significativos à indústria cerâmica”, afirma. O responsável sublinha ainda o caráter inovador da solução. “O projeto ECORASCHIG surge como uma resposta inovadora a estes desafios, ao apostar no desenvolvimento de soluções tecnológicas que permitam a recuperação e reutilização da água evaporada no processo de secagem por atomização.”

Impacto ambiental e energético

Além da gestão eficiente da água, o projeto traz outros benefícios ambientais. A recuperação do vapor permite também reaproveitar energia térmica residual. Assim, o processo contribui para reduzir o consumo energético. Ao mesmo tempo, diminui as emissões de dióxido de carbono associadas à produção industrial.

José Silva destaca ainda esse impacto positivo. “O projeto demonstra que é possível aumentar significativamente a eficiência hídrica dos processos produtivos, reduzindo o consumo de água fresca e promovendo uma utilização mais responsável dos recursos naturais.” Além disso, a tecnologia contribui para reduzir emissões atmosféricas. “O Ecoraschig contribui também para a redução do consumo energético e das emissões de CO₂, bem como para a diminuição do impacto ambiental associado às emissões atmosféricas.”

Inovação com potencial além da cerâmica

Embora desenvolvido para a indústria cerâmica, o conceito pode ser aplicado noutros setores industriais. Vários processos produtivos utilizam secagem por atomização. É o caso, por exemplo, da indústria alimentar. Assim, o conhecimento gerado poderá abrir novas oportunidades tecnológicas. O projeto reforça também a aposta do tecido industrial português na inovação e na sustentabilidade.

Para José Silva, o apoio europeu foi decisivo. “O apoio do programa COMPETE 2030 é fundamental para a concretização destes objetivos, permitindo às empresas investir em inovação, sustentabilidade e competitividade.” Com iniciativas como o Ecoraschig, a indústria demonstra que é possível produzir mais, utilizando menos recursos e reduzindo o impacto ambiental.

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