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Nova geração de ligantes reforça sustentabilidade da indústria da cortiça

Criar ligantes sustentáveis a partir de matérias-primas renováveis é a aposta de um novo projeto de I&D apoiado pelo COMPETE 2030.

19 de Março 2026 | Notícias

Criar ligantes sustentáveis a partir de matérias-primas renováveis é a aposta de um novo projeto de I&D apoiado pelo COMPETE 2030, que quer reduzir emissões e melhorar o desempenho dos aglomerados de cortiça.

Inovação verde aplicada à cortiça

A indústria da cortiça continua a reinventar-se. Desta vez, através da ciência, da química verde e da investigação aplicada. A operação CORKBIND, cofinanciada pelo COMPETE 2030, aposta no desenvolvimento de uma nova geração de ligantes sustentáveis para a aglomeração de cortiça.

O projeto utiliza matérias-primas renováveis, nomeadamente óleos vegetais de rícino, girassol e colza. Assim, pretende substituir os ligantes petroquímicos tradicionais e reduzir o impacto ambiental dos produtos.

Segundo Isabel Pinho Lima, o projeto representa uma iniciativa fortemente inovadora para o setor.

Liderado pela CIPADE e desenvolvido em copromoção com o Instituto Superior Técnico e a SEDACOR, introduz uma nova geração de ligantes sustentáveis assentes em matérias-primas renováveis, com desempenho técnico equivalente ou superior às soluções convencionais.

Ciência ao serviço de materiais mais eficientes

O desenvolvimento destes ligantes exige investigação rigorosa e processos químicos controlados.

A síntese é realizada em reatores de vidro sob atmosfera de azoto. Este ambiente evita a oxidação dos reagentes e garante a estabilidade dos compostos produzidos. Além disso, a utilização destes reatores permite monitorizar as reações em tempo real e ajustar parâmetros como temperatura, concentração ou tempo de reação.

Numa fase inicial, os investigadores realizam ensaios preliminares para avaliar a reatividade e a compatibilidade dos novos ligantes com os granulados de cortiça. Depois, seguem-se testes iterativos de otimização. Nesta etapa, são avaliadas diferentes formulações e combinações de aditivos, procurando melhorar propriedades como adesão, permeabilidade e durabilidade. Por fim, os ligantes passam por validação em ambiente industrial. Este processo garante que as soluções desenvolvidas em laboratório podem ser aplicadas em escala produtiva.

Reduzir impacto ambiental e melhorar processos

Um dos principais objetivos do projeto é diminuir a pegada ambiental da indústria. A utilização de matérias-primas renováveis permite reduzir emissões de compostos orgânicos voláteis e diminuir a presença de substâncias indesejáveis nos produtos finais. Como sublinha Isabel Pinho Lima, esta inovação representa um avanço significativo face às práticas existentes no setor, pois reduz a pegada ambiental e as emissões de compostos orgânicos voláteis, sem comprometer os requisitos industriais. Ao mesmo tempo, os novos ligantes contribuem para melhorar a segurança dos processos produtivos e a qualidade dos materiais obtidos.

Aplicações em vários setores

Os produtos desenvolvidos no âmbito do CorkBind poderão ter diversas aplicações. Na construção civil, a cortiça aglomerada continuará a destacar-se como material de isolamento térmico e acústico. No entanto, também poderá ganhar espaço na moda, no design e em produtos de decoração. Além disso, setores como o automóvel e o aeronáutico poderão beneficiar das propriedades leves e duráveis destes novos materiais. Para garantir a sustentabilidade das soluções, o projeto inclui análises de ciclo de vida. Estas avaliações permitem medir o impacto ambiental desde a origem das matérias-primas até ao final do produto.

Conhecimento que chega ao mercado

O CORKBIND resulta de uma colaboração estreita entre indústria e academia. Participam no projeto a CIPADE, a SEDACOR e o Instituto Superior Técnico. Esta parceria permite combinar investigação científica, experiência industrial e conhecimento de mercado.

Para Isabel Pinho Lima, a relevância do projeto evidencia-se precisamente na capacidade de transformar inovação em soluções industriais concretas, com impacto direto na qualidade dos produtos, na redução do impacto ambiental e na segurança dos processos. A responsável sublinha ainda que os objetivos definidos se concentram na validação pré-industrial destas tecnologias, garantindo a sua futura aplicabilidade no mercado e contribuindo para os objetivos do COMPETE 2030 no domínio da inovação e da sustentabilidade.

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