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Algas e resíduos marinhos dão origem a novos materiais sustentáveis

É essa a ambição do AlgaeTech, projeto cofinanciado pelo COMPETE 2030 que junta indústria e sistema científico para acelerar a bioeconomia azul.

14 de Maio 2026 | Notícias

Transformar algas invasoras e conchas descartadas em soluções biodegradáveis para agricultura, embalagens e bens de consumo. É essa a ambição do AlgaeTech, projeto cofinanciado pelo COMPETE 2030 que junta indústria e sistema científico para acelerar a bioeconomia azul em Portugal.

A valorização de recursos marinhos está no centro do projeto AlgaeTech. A operação, promovida pela Moldes RP, S.A., em copromoção com a Deifil Technology, Lda e o Instituto Politécnico de Leiria, em parceria com a Aromáticas Vivas, aposta no desenvolvimento de materiais sustentáveis de base biológica.

O objetivo passa por criar alternativas aos materiais convencionais de origem fóssil. Para isso, o consórcio combina investigação científica e capacidade industrial. Além disso, procura dar uma nova vida a resíduos e subprodutos marinhos.

Resíduos transformados em soluções biodegradáveis

O AlgaeTech distingue-se pela criação de compósitos biodegradáveis produzidos a partir de algas e resíduos de bivalves. Entre as matérias-primas utilizadas estão também algas invasoras, cuja valorização permite reduzir impactos ambientais.

A abordagem abre caminho ao desenvolvimento de materiais inovadores e mais sustentáveis. Ao mesmo tempo, contribui para modelos produtivos mais circulares e eficientes.

Uma das aplicações em desenvolvimento são vasos biodegradáveis e bioativos destinados à agricultura e horticultura. Estes produtos pretendem garantir durabilidade ao longo do ciclo de cultura, elevada retenção de água e facilidade de perfuração.

As soluções foram pensadas para plantas de elevado valor acrescentado e ervas aromáticas. Assim, o projeto procura responder às exigências de setores cada vez mais focados na sustentabilidade.

Paralelamente, o consórcio está também a desenvolver biopolímeros à base de algas reforçados com conchas de bivalves trituradas. O objetivo é criar compósitos seguros para contacto alimentar e aplicáveis na produção de copos reutilizáveis para bebidas.

Apoio do COMPETE 2030 acelera inovação

O desenvolvimento de novos materiais implica elevada exigência técnica e científica. Por isso, o apoio do COMPETE 2030 revelou-se determinante para viabilizar a operação.

“O apoio do COMPETE 2030 foi determinante para viabilizar o desenvolvimento do AlgaeTech, permitindo reunir competências complementares e promover uma colaboração eficaz entre parceiros”, sublinha Rui Pinho, CEO da Moldes RP.

O responsável destaca ainda o papel das entidades gestoras no acompanhamento do projeto. “A intervenção das entidades gestoras teve um papel essencial na coordenação do consórcio e na criação de sinergias, facilitando a partilha de conhecimento e acelerando o desenvolvimento de soluções inovadoras”, afirma.

Novos materiais para vários setores

Um dos principais contributos do AlgaeTech está na criação de materiais sustentáveis ajustados a diferentes aplicações industriais. A combinação de biopolímeros marinhos com cargas naturais permite desenvolver soluções com elevado desempenho técnico.

Além da agricultura, o potencial de aplicação estende-se aos setores das embalagens e dos bens de consumo. Dessa forma, o projeto contribui para a introdução de alternativas mais sustentáveis no mercado.

O consórcio acredita que esta abordagem poderá reforçar a competitividade nacional na área dos materiais inovadores e sustentáveis.

“Este projeto demonstra como a articulação entre indústria e sistema científico pode gerar soluções com impacto real, promovendo simultaneamente inovação e sustentabilidade”, destaca Rui Pinho.

Bioeconomia azul ganha escala em Portugal

Mais do que um projeto tecnológico, o AlgaeTech pretende afirmar um novo modelo de utilização de recursos. A valorização de resíduos e a incorporação de matérias-primas renováveis reforçam a aposta na economia circular.

Ao mesmo tempo, a operação evidencia o potencial da colaboração entre empresas e instituições científicas para acelerar a transição verde.

Com esta iniciativa, Portugal reforça também o posicionamento na área da bioeconomia azul e dos materiais sustentáveis. O AlgaeTech surge, assim, como um exemplo de investigação aplicada com impacto económico, ambiental e social.

Links uteis

Website | Moldes RP

Website | IPLeiria

Website | Deifil

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