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Valorização de resíduos transforma setor da construção

Em entrevista, Bruno Teixeira, Diretor Técnico da Farcimar, partilha os principais objetivos, desafios e resultados do projeto WasteCrete que aposta na valorização de resíduos industriais para promover uma construção mais sustentável.

14 de Maio 2026 | Notícias

A operação WasteCrete, promovida pela Farcimar e cofinanciada pelo COMPETE 2030, surge como uma resposta inovadora aos desafios ambientais e de sustentabilidade que se colocam atualmente ao setor da construção. Apostando na valorização de resíduos industriais e na incorporação de materiais alternativos em compósitos cimentícios, o projeto pretende contribuir para uma construção mais eficiente, circular e com menor impacto ambiental.

Ao longo do seu desenvolvimento, o WasteCrete tem vindo a afirmar-se pela combinação entre investigação, desenvolvimento tecnológico e aplicação prática em contexto industrial, promovendo soluções capazes de reduzir o consumo de matérias-primas virgens e as emissões associadas à produção de betão.

Nesta entrevista, Bruno Teixeira, Diretor Técnico da Farcimar e responsável pela operação WasteCrete, partilha as motivações que estiveram na origem do projeto, os principais resultados já alcançados e a visão para o futuro desta iniciativa, que pretende acelerar a transição do setor da construção para modelos mais sustentáveis e inovadores.

Como nasceu o projeto WasteCrete? Quais foram as principais motivações?

O projeto WasteCrete nasceu da necessidade crescente de encontrar soluções sustentáveis para o setor da construção, um dos maiores consumidores de recursos naturais e geradores de resíduos a nível global. A motivação central foi desenvolver alternativas que permitam integrar resíduos industriais em novos materiais cimentícios, promovendo uma lógica de economia circular.

Paralelamente, o projeto procura responder aos desafios ambientais e regulamentares cada vez mais exigentes, nomeadamente a redução da pegada carbónica associada ao betão e a valorização de subprodutos que, de outra forma, teriam como destino o aterro. Assim, o WasteCrete posiciona-se como uma iniciativa que alia inovação tecnológica à sustentabilidade ambiental.

O que considera ser o elemento diferenciador do projeto?

O principal elemento diferenciador do WasteCrete reside na abordagem integrada que combina investigação científica, desenvolvimento tecnológico e aplicação prática em contexto industrial.

Mais do que estudar soluções em ambiente laboratorial, o projeto foca-se na validação de materiais em condições reais, assegurando que os novos betões com incorporação de resíduos mantêm, ou até melhoram, as propriedades mecânicas e de durabilidade exigidas pelo setor.

Adicionalmente, destaca-se a capacidade de transformar diferentes tipos de resíduos em matérias-primas valorizáveis, contribuindo simultaneamente para a redução de impactos ambientais e para a criação de valor económico ao longo da cadeia da construção.

Que principais resultados ou marcos já foram alcançados até esta fase do projeto? Houve algum desafio inesperado?

Até ao momento, o projeto já alcançou marcos relevantes, nomeadamente a identificação e caracterização de mais de 30 resíduos oriundos de diferentes setores industriais, bem como o desenvolvimento e caracterização de formulações de betão com incorporação de alguns dos resíduos selecionados. Foram também estabelecidas metodologias de processamento e incorporação de materiais alternativos, garantindo a sua compatibilidade com os requisitos do setor.

Um dos avanços importantes foi a demonstração de que é possível reduzir o consumo de matérias-primas virgens sem comprometer a qualidade do produto final.

No entanto, como em qualquer projeto de inovação, surgiram desafios — particularmente ao nível da variabilidade dos resíduos e da necessidade de assegurar consistência nas propriedades dos materiais. A adaptação dos processos industriais e a compatibilização com normas técnicas existentes constituíram também desafios relevantes, exigindo um esforço contínuo de otimização.

Que impacto espera que o projeto tenha no setor/mercado e quais são os próximos passos até à sua conclusão?

Espera-se que o WasteCrete contribua significativamente para a transição do setor da construção para modelos mais sustentáveis, promovendo a utilização de materiais alternativos e reduzindo a dependência de recursos naturais não renováveis.

O impacto projetado inclui não só benefícios ambientais, como a diminuição de emissões de CO2 e a redução de resíduos enviados para aterro, mas também vantagens económicas, através da criação de soluções competitivas e inovadoras para o mercado.

Quanto aos próximos passos, o foco estará na validação em escala piloto e pré-industrial, na consolidação dos resultados obtidos e na preparação para a transferência de tecnologia e adoção pelo setor. A disseminação de resultados e o envolvimento de stakeholders serão igualmente essenciais para garantir a replicabilidade e o impacto duradouro das soluções desenvolvidas.

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