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Plástico reciclado ganha espaço na construção

Resíduos plásticos de difícil valorização estão no centro de uma solução modular que visa reduzir a pegada carbónica da construção.

24 de Setembro 2026 | Notícias

Resíduos plásticos de difícil valorização estão no centro de uma solução modular que procura reduzir a pegada carbónica da construção e simplificar o trabalho em obra.

Dois problemas à procura de uma resposta

O plástico acumula-se como um dos grandes desafios ambientais da atualidade. Na construção, os desafios também se multiplicam.

O setor continua fortemente dependente de cimento, betão e cerâmica. São materiais essenciais, mas associados a uma elevada intensidade carbónica.

Ao mesmo tempo, os estaleiros geram grandes volumes de desperdício. A escassez de mão de obra especializada acrescenta ainda pressão sobre os prazos e os custos.

É neste cruzamento que nasce o REBLOCK, uma operação de investigação e desenvolvimento cofinanciada pelo COMPETE 2030.

A proposta é transformar resíduos plásticos difíceis de valorizar numa solução construtiva modular. O resultado pretende combinar circularidade, eficiência e competitividade.

“O projeto REBLOCK nasce a partir do encontro de dois grandes desafios que enfrentamos hoje”, explica Fábio Iori, fundador e gerente da UmBloco.

De um lado, está o consumo elevado de materiais plásticos e a insuficiência das taxas de reciclagem. Do outro, um setor da construção que procura novas respostas para reduzir recursos, desperdício e dependência de mão de obra especializada.

Construir por encaixe

A solução desenvolvida pelo projeto assenta em blocos produzidos com mais de 90% de polipropileno reciclado (R-PP). A este material juntam-se cargas minerais e fibras vegetais.

Mas a inovação não está apenas na matéria-prima.

O REBLOCK aposta também numa geometria modular e num sistema de montagem por encaixe. Assim, procura simplificar a construção e reduzir a dependência de mão de obra especializada.

“O REBLOCK propõe um sistema construtivo inovador, baseado na construção modular, com montagem por encaixe, sem necessidade de mão de obra especializada”, sublinha Fábio Iori.

A abordagem pretende responder a diferentes necessidades. Habitação social, reabilitação urbana, turismo sustentável e reconstrução pós-catástrofe estão entre as aplicações previstas.

Além disso, os blocos poderão ser utilizados em infraestruturas temporárias. Esta versatilidade reforça o potencial de uma solução pensada para diferentes contextos e mercados.

Resíduo que se transforma em recurso

A circularidade está no centro do projeto. Ao utilizar uma percentagem superior a 90% de material reciclado, o REBLOCK procura transformar resíduos persistentes numa nova matéria-prima.

Consequentemente, a solução poderá reduzir a utilização de materiais convencionais com maior intensidade carbónica.

As estimativas apontam para uma redução entre 40% e 60% das emissões ao longo do ciclo de vida. O projeto pretende, portanto, conciliar desempenho construtivo com ganhos ambientais.

Existe também uma dimensão económica. A solução tem potencial para gerar um produto patenteável, competitivo e preparado para certificação.

O projeto prevê ainda a validação técnico-normativa dos blocos, tendo em vista o cumprimento dos requisitos europeus e a certificação ao abrigo do Regulamento (UE) 2024/3110.

Da investigação à escala industrial

Para chegar ao mercado, uma boa ideia precisa de ultrapassar o laboratório. Por isso, o REBLOCK integra diferentes etapas de desenvolvimento.

A formulação dos compósitos, a geometria dos blocos e o fabrico industrial escalável fazem parte deste percurso. A validação técnica e normativa completa o processo.

O objetivo é criar uma solução industrializável, certificável e capaz de competir com os blocos convencionais.

O potencial de internacionalização é, por isso, uma das dimensões relevantes do projeto. A ambição passa por posicionar Portugal num mercado europeu onde a construção enfrenta simultaneamente desafios ambientais, económicos e sociais.

Para Fábio Iori, o apoio do COMPETE 2030 é decisivo neste caminho. O incentivo permite concretizar atividades de investigação, desenvolvimento e validação tecnológica que seriam mais difíceis de realizar.

“Graças a este incentivo, é possível concretizar as atividades de investigação, desenvolvimento e validação tecnológica indispensáveis ao REBLOCK”, afirma.

O projeto procura, assim, transformar dois desafios em oportunidade. De um lado, resíduos plásticos que continuam sem soluções de valorização suficientemente escaláveis. Do outro, uma construção que precisa de consumir menos recursos e encontrar novas formas de trabalhar.

No centro está um princípio simples: dar valor ao que antes era desperdício e transformar inovação em construção mais sustentável, eficiente e preparada para o futuro.

Conheça melhor o projeto REBLOCK em https://umbloco.com/

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