SICE - Inovação Produtiva - Baixa Densidade
2024-08-02 | Disponibilizado o Guia de apoio ao Preenchimento do Formulário de Pagamento.
Em entrevista, Rogério Hilário, vice-presidente do CEC, explica como a Formação Ação está a aumentar a produtividade das empresas.

A Formação Ação está a consolidar-se como uma das ferramentas mais eficazes para fortalecer a competitividade das PME portuguesas. Em entrevista, Rogério Hilário, vice-presidente do CEC/CCIC – Conselho Empresarial do Centro e Câmara do Comércio e Indústria do Centro, explica como este modelo, baseado no princípio do aprender fazendo, combina formação em sala com aplicação prática em contexto real de trabalho. Ao envolver empresários, gestores e trabalhadores na resolução de desafios concretos, a metodologia tem produzido resultados claros ao nível da produtividade, inovação e capacidade estratégica. Com o apoio do financiamento europeu, a Formação Ação tem permitido preparar as empresas para a digitalização, a inteligência artificial, a sustentabilidade e a competitividade global, tornando-as mais resilientes num mercado em permanente transformação.
Entrevista
A Formação Ação tem ganho destaque no tecido empresarial português, especialmente nas PME. Pode explicar, de forma simples, o que diferencia este tipo de formação?
A Formação-Ação baseia-se na ideia de que a aprendizagem resulta da atividade prática, ou seja, “aprender fazendo”. A ação de resolver um problema ou desenvolver um projeto é central para o processo de aprendizagem. Ao contrário dos modelos tradicionais de formação, em que a teoria precede a prática, na Formação-Ação, o tempo de formação e ação ocorrem simultaneamente. A aprendizagem é construída através do desenvolvimento da ação e das interações que surgem durante esse processo.
É por isso que a Formação Ação, pelo seu carácter diferenciador, tem ganho destaque no tecido empresarial português, pois, ao combinar ações de formação teórica com intervenções operacionais de formação prática, em contexto de trabalho e/ou formação on the job, assegura a aplicação prática dos conhecimentos.
Donde a metodologia de Formação Ação sobressai como a mais eficaz na articulação entre os processos formativos e as necessidades empresariais, ao envolver os empresários e respetivos colaboradores das PME nas atividades formativas e consequentemente na vida da empresa.
A participação nestes programas surge, neste contexto, como uma experiência enriquecedora e de mais-valia para, de forma sustentada, assegurar as condições necessárias ao desenvolvimento de competências nas diferentes áreas de gestão, dando resposta às necessidades de formação existentes dos ativos da empresa, bem como aumentar a produtividade, a capacidade competitiva e a introdução de processos de mudança/inovação nas empresas, com vista a encontrar as respostas necessárias para fazer face a desafios emergentes.
O mérito da Formação Ação é, assim, sobejamente reconhecido na resolução de problemas reais das empresas que, apesar de contemplar a aprendizagem de recursos de conhecimento e comportamentais, assume como foco principal o desenvolvimento de competências.
A Formação Ação individualizada visa proporcionar serviços de formação em sala e formação on the job definidos em função das necessidades específicas dos destinatários, tendo por base o diagnóstico das suas necessidades individuais, estabelecendo-se, de seguida, o plano estratégico de intervenção que responda a essas necessidades. Neste processo formativo são integrados empresários, gestores ou quadros com elevada responsabilidade, bem como colaboradores da empresa.
A sua vantagem advém, em grande medida, da aproximação à realidade das empresas que proporciona, no que respeita à resolução dos seus problemas e ao desenvolvimento das competências mais valorizadas nos seus recursos humanos.
Os programas de Formação Ação do CEC/CCIC permitem desenhar respostas personalizadas às necessidades específicas e concretas de cada empresa, dotando-as de ferramentas e conhecimentos para dar resposta aos desafios quotidianos e estratégicos com que as empresas se deparam na sua atividade laboral. Potenciam, pois, o aumento da competitividade e da inovação de cada uma das empresas intervencionadas.
O objetivo final é o aumento da produtividade e o desenvolvimento sustentado das PME, recorrendo ao financiamento europeu como uma importante alavanca para tornar estes projetos uma realidade.
Qual tem sido o interesse demonstrado pelas empresas nesta medida?
O CEC/CCIC surge como um parceiro de excelência para o desenvolvimento empresarial da região ao promover, com impacto direto na produtividade e sustentabilidade das empresas, a inovação, a modernização e a sua competitividade.
Através do seu Programa de Formação Ação, designado QI PME, este Organismo Intermédio distingue-se pelo seu profundo conhecimento do tecido empresarial local que lhe permite em tempo real identificar e acompanhar as necessidades das empresas da região Centro.
Esta sua proximidade às empresas possibilita a conceção de programas de Formação-Ação ajustados às realidades específicas, destacando-se, pela sua grande capacidade de mobilizar as entidades promotoras e beneficiárias, por criar condições para que a implementação eficaz de projetos, que envolvem a Formação Ação nas empresas e entre os seus trabalhadores, seja uma realidade com sucesso.
Resultando este contexto, o crescente interesse demonstrado pelas empresas nesta medida encontra-se, portanto, intimamente relacionado com o reconhecimento do seu mérito, por parte das empresas intervencionadas, consubstanciado, em grande medida, pelo impacto positivo nas PME ao nível do aumento da produtividade, da capacidade competitiva e da introdução de processos de mudança/inovação, dotando-as das ferramentas necessárias para fazer face às exigências e desafios com que quotidianamente se deparam na sua atividade empresarial.
A acrescer a este fator releva, ainda, a possibilidade de, através deste programa, serem trabalhadas competências em diferentes áreas de gestão, promovendo resposta às necessidades de formação existentes nas empresas e oportunamente identificadas no âmbito deste Plano de Ação, permitindo, também, a retenção de talentos.
Neste sentido, o balanço da execução física alcançada evidencia uma performance manifestamente positiva, pela forte capacidade de cumprimento das metas estabelecidas, quer ao nível do número de PME envolvidas, quer ao nível do grau de desenvolvimento das ações programadas, espelhando a capacidade da estrutura geral de gestão do Programa, tanto em termos de mobilização de procura como de organização da prestação do serviço proposto.
A promoção de um espírito crítico e empreendedor surge como outro ponto forte em destaque, fundamentalmente pela transição de atitudes e comportamentos de alguns empresários de um quadro de responsabilidades meramente gestionário – de gestão do dia-a-dia da empresa, sem visão e orientação estratégica –, para um quadro de maior racionalidade estratégica, de sustentabilidade financeira e económica, essencialmente por via da predisposição para realizar ações de investimento.
Este modelo de intervenção destaca-se por ser uma abordagem inovadora e eficaz para o desenvolvimento de trabalhadores e empresas. Ao integrar teoria (formação em sala) e prática (formação o the job) de forma dinâmica e contextualizada, a Formação Ação oferece uma série de vantagens que contribuem para o alcance de resultados consistentes e duradouros, nomeadamente: produtividade e eficiência por via da melhoria do desempenho, otimização de processos, decisões mais ágeis, demonstração de investimento no desenvolvimento profissional numa cultura de aprendizagem e de interação entre diferentes áreas da organização, aumento da produtividade, eficiência e qualidade do trabalho, redução de custos através da otimização de processos e resolução de problemas.
Proporcionando diversos benefícios e contribuindo para o sucesso a longo prazo, o modelo de Formação-Ação assume-se como uma ferramenta poderosa para o desenvolvimento de empresas e dos seus trabalhadores.
De que forma a Formação Ação contribui para melhorar a competitividade das empresas?
Com recurso à metodologia de Formação Ação, que prevê formação, alternada, em sala e on the job, são implementadas operações de formação organizadas através de um programa estruturado de qualificação de empresários e de trabalhadores, dirigido às empresas participantes.
O Programa QI PME assume um papel fulcral na intensificação da formação dos empresários e gestores para a reorganização e melhoria das capacidades de gestão, assim como dos trabalhadores das empresas que se traduzirá no/a:
Desta forma, pretende-se aumentar as capacidades de gestão das empresas e da qualificação específica dos seus ativos em domínios relevantes para a estratégia de inovação, digitalização, internacionalização, qualificação e sustentabilidade ambiental. Paralelamente pretende-se aumentar as competências de gestão dos empresários, gestores e trabalhadores das empresas através da formação, no sentido de promover a reorganização, a inovação e a mudança nas empresas, bem como promover ações de dinamização e sensibilização para a mudança e intercâmbio de boas práticas (mobilidade e troca de experiências.
Por isso se pode afirmar que a Formação Ação, atuando tanto no desenvolvimento individual dos colaboradores quanto na dinâmica organizacional, contribui para melhorar, de forma sustentada, a competitividade das empresas, com repercussões em diferentes níveis: no aumento da produtividade, na melhoria das competências dos colaboradores, na satisfação dos clientes e maior competitividade no mercado, na melhoria do clima organizacional e no estímulo à inovação e criatividade.
Refira-se que este programa de Formação Ação, ao pressupor uma metodologia dinâmica e alinhada aos objetivos organizacionais, potencia, através de introdução de novos processos de mudança/inovação, um investimento estratégico com resultados visíveis na produtividade e capacidade competitiva da empresa.
Que papel terá a Formação Ação no futuro das PME e na resposta às novas exigências do mercado?
A Formação Ação terá um papel crucial no futuro das PME e na resposta às novas exigências do mercado, atuando como um catalisador para a adaptação e o crescimento. As mudanças constantes no cenário económico, tecnológico e social exigem que as empresas sejam ágeis, inovadoras e sustentáveis, e a Formação Ação apresenta-se como uma ferramenta de extrema importância para desenvolver as competências necessárias para enfrentar esses desafios.
A inteligência artificial, aliada às novas formas de organização, é um novo desafio a que as empresas terão de saber responder, pois a digitalização dos processos, a automação e a inteligência artificial estão a transformar a forma como as empresas trabalham.
A Formação-Ação surgirá, por via da capacitação dos seus colaboradores nas novas tecnologias, como análise de dados, programação, marketing digital e cibersegurança, como um precioso aliado para apoiar a integração das empresas na economia digital e, dessa forma, aproveitarem as oportunidades que ela lhe oferece.
Num mercado competitivo, a inovação é essencial para a sobrevivência e o crescimento das empresas. Pelo que a Formação Ação pode estimular a cultura de inovação dentro das PME, incentivando os colaboradores a gerar novas ideias, desenvolver soluções criativas e implementar melhorias nos processos e produtos.
Atendendo a que os consumidores estão cada vez mais exigentes e informados, procurando produtos e serviços personalizados e sustentáveis, de alta qualidade e com responsabilidade social e ambiental, a Formação-Ação pode ajudar as PME a responder a essas exigências, capacitando os seus colaboradores para oferecer um atendimento diferenciado, desenvolver produtos inovadores e adotar práticas sustentáveis.
Pelo que, a Formação Ação poderá, num mundo em constante mutação em que os desafios predominam, preparar os colaboradores para lidar com situações imprevistas, adaptar e melhorar as suas competências para rapidamente se ajustarem a novos contextos, dotando-os assim de competências de resiliência e capacidade de adaptação constante.
Um novo desafio das PME, num mercado de trabalho competitivo, prende-se com a capacidade de atrair e reter talentos. Também a este nível, a Formação-Ação poderá ser uma vantagem na atração de profissionais qualificados ao evidenciar que a empresa investe no desenvolvimento de seus colaboradores e oferece oportunidades de crescimento. Concomitantemente, contribui para a retenção de talentos, pois colaboradores, que se sentem valorizados e têm oportunidades de aprendizado, são mais propensos a permanecer na empresa.
A Formação-Ação deve, por isso, estar alinhada com as estratégias de negócio das PME, focando-se nas competências que são essenciais para atingir os objetivos da empresa. Ao investir em formação relevante e direcionada, as PME podem garantir que seus colaboradores estejam preparados para os desafios específicos do seu setor e contribuir para o sucesso da organização.
Em conclusão, a Formação-Ação é um investimento estratégico que ajudará as PME a se manterem competitivas e relevantes no futuro. Ao desenvolver as competências de seus colaboradores, as PME podem adaptar-se às novas exigências do mercado, inovar, crescer e prosperar num ambiente em constante transformação. Ela assumirá um lugar de destaque para o desenvolvimento sustentável e o sucesso do tecido empresarial.
05 de Março 2026
2024-08-02 | Disponibilizado o Guia de apoio ao Preenchimento do Formulário de Pagamento.