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Transformar resíduos agroindustriais em alimentos sustentáveis e funcionais é o objetivo do projeto BEIRALMA.

Transformar resíduos agroindustriais em alimentos sustentáveis e funcionais. É esse o objetivo do Beiralma, projeto cofinanciado pelo COMPETE 2030 que aposta em enchidos vegetarianos e vegan inspirados nos sabores tradicionais portugueses.
O setor agroalimentar português quer reduzir desperdícios e criar produtos mais sustentáveis. O projeto Beiralma surge precisamente nesse cruzamento entre inovação, economia circular e novas tendências de consumo.
A iniciativa aposta no desenvolvimento de enchidos vegetarianos e vegan produzidos a partir de subprodutos das indústrias do azeite e do vinho. Entre eles estão o bagaço de azeitona e o bagaço de uva, normalmente considerados resíduos com impacto ambiental significativo.
O objetivo passa por transformar esses subprodutos em ingredientes funcionais com elevado valor nutricional. Ao mesmo tempo, o projeto procura responder à crescente procura por alternativas à carne mais saudáveis e sustentáveis.
“O projeto Beiralma centra-se no desenvolvimento de novos produtos alimentares de base vegetal, em particular enchidos vegetarianos e vegan, a partir da valorização de subprodutos agroindustriais como o bagaço de azeitona e de uva, numa lógica de economia circular e de rótulo ‘clean label’”, explica Francisco Mendes, Diretor de Vendas.
Economia circular chega aos enchidos vegetais
O Beiralma assume-se como uma solução para dois desafios atuais. Por um lado, reduz o impacto ambiental associado aos resíduos agroindustriais. Por outro, cria produtos alimentares de base vegetal com características sensoriais próximas dos enchidos tradicionais.
Para isso, o projeto combina competências em biotecnologia alimentar, química de processos e sustentabilidade. A aposta passa também por técnicas avançadas de texturização, fermentação e fumagem.
Estas tecnologias permitem aproximar sabor, textura e experiência de consumo dos produtos tradicionais de carne. Além disso, eliminam a necessidade de aditivos artificiais.
A fermentação desempenha ainda um papel importante na conservação natural dos produtos. Dessa forma, o projeto reforça a aposta numa abordagem “clean label”, cada vez mais valorizada pelos consumidores.
“O Beiralma combina competências em biotecnologia alimentar, química de processos e sustentabilidade para desenvolver soluções alinhadas com as principais tendências de mercado”, sublinha Francisco Mendes.
Ingredientes regionais reforçam identidade local
O projeto valoriza ingredientes autóctones e recursos regionais. Essa escolha procura reforçar a sustentabilidade e promover cadeias de abastecimento mais curtas.
Ao mesmo tempo, reduz-se a pegada carbónica associada ao transporte de matérias-primas. O consórcio acredita que essa ligação ao território pode também diferenciar o produto no mercado.
O Beiralma prevê ainda três níveis de consistência para os enchidos vegetais. Haverá opções moles, semi-moles e duras, adaptadas a diferentes utilizações culinárias.
Além disso, os produtos serão compatíveis com invólucros sustentáveis. O objetivo é garantir coerência entre ingredientes, embalagem e posicionamento ecológico.
Parceria une empresas e sistema científico
O projeto junta várias entidades com experiência complementar. A liderança pertence à Fumeiro de Seia, empresa com experiência consolidada na produção alimentar.
Como copromotores participam a Universidade Católica Portuguesa, a BLC3 e o CECOLAB. A parceria integra ainda a Azeites do Cobral.
O consórcio pretende evoluir de níveis iniciais de investigação para validação industrial próxima do mercado. O objetivo final é criar soluções “chave-na-mão” adaptáveis à indústria alimentar.
Apoio do COMPETE 2030 acelera desenvolvimento
O apoio do COMPETE 2030 é apontado como decisivo para acelerar a investigação e a validação industrial do projeto.
“O apoio do COMPETE 2030 é determinante para concretizar estes objetivos, permitindo acelerar o desenvolvimento tecnológico, testar e validar protótipos em ambiente industrial e valorizar recursos endógenos hoje subaproveitados”, destaca Francisco Mendes.
A responsável acredita que o projeto poderá reforçar a competitividade do setor agroalimentar português. Além disso, considera que o BEIRALMA contribui para acelerar a transição para modelos produtivos mais sustentáveis e circulares.
Com esta iniciativa, o consórcio quer posicionar Portugal na linha da frente da inovação alimentar sustentável. E, simultaneamente, responder a consumidores cada vez mais atentos à saúde, ao ambiente e à origem dos produtos que consomem.
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31 de Julho 2026