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Necton quer transformar subprodutos de microalgas em novos negócios

O que hoje é encarado como um subproduto do processo de produção de microalgas poderá dar origem a novos ingredientes para vátias indústrias.

5 de Novembro 2026 | Notícias

O que hoje é encarado como um subproduto do processo de produção de microalgas poderá vir a dar origem a novos ingredientes para as indústrias nutracêutica, cosmética e da aquacultura.

É este o objetivo do PREMIUMALGAE, projeto liderado pela Necton e apoiado pelo COMPETE 2030, que está a desenvolver processos de biorrefinaria para recuperar compostos bioativos presentes na biomassa e nos sobrenadantes gerados durante a produção.

A iniciativa junta empresas e instituições científicas para criar quatro novos ingredientes de elevado valor acrescentado. Dois serão obtidos a partir da biomassa de microalgas, ricos em fucoxantina e ficoeritrina. Os restantes resultarão da valorização dos sobrenadantes e terão como base exopolissacarídeos e vesículas extracelulares.

A aposta parte de uma lógica simples: aproveitar recursos que habitualmente têm um reduzido valor económico e transformá-los em produtos com potencial de aplicação industrial.

“O que procuramos é valorizar componentes que continuam presentes na biomassa e nos sobrenadantes, mas que tradicionalmente não eram aproveitados”, explica Maria Teresa Cruz, professora associada da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra.

O potencial estende-se a diferentes áreas de aplicação, da nutrição e saúde à cosmética e à aquacultura. O desafio passa por desenvolver processos eficientes de extração, separação e purificação que permitam produzir estes compostos à escala industrial.

Para o efeito, o projeto prevê otimizar o cultivo de microalgas e recorrer a tecnologias como a ultrafiltração e a precipitação seletiva para recuperar e concentrar os diferentes ingredientes.

“As estratégias de biorrefinaria permitem fracionar a biomassa e recuperar compostos bioativos com potencial para diferentes aplicações industriais”, refere a investigadora.

A investigação inclui ainda ensaios in vitro, ex vivo e in vivo destinados a avaliar a bioatividade e a segurança dos compostos obtidos, bem como estudos de estabilidade que permitam validar o seu potencial de utilização industrial.

Os primeiros protótipos serão desenvolvidos com parceiros estratégicos, nomeadamente a Azores Life Science e a Sparos, numa fase destinada a testar a aplicabilidade das soluções em contexto de mercado.

“O objetivo é promover o aproveitamento máximo da biomassa produzida, reduzindo desperdícios e aumentando o valor gerado ao longo do processo”, sublinha Maria Teresa Cruz.

Além da Necton, o consórcio integra a Universidade do Porto, através das Faculdades de Farmácia e de Ciências, a Universidade de Aveiro, a Universidade de Coimbra e o GreenCoLab.

A colaboração entre empresas e entidades do sistema científico é uma das bases do projeto, reunindo competências em biotecnologia, farmacologia, química analítica e engenharia de processos.

“A combinação de competências complementares permite validar soluções em contexto próximo do industrial e aproximar a investigação das necessidades do mercado”, acrescenta a investigadora.

No final, a ambição é transformar conhecimento científico em novos produtos e criar valor a partir de recursos que até aqui tinham um aproveitamento limitado. Para a Necton e os restantes parceiros, o potencial está menos na quantidade produzida e mais na capacidade de retirar das microalgas tudo aquilo que elas ainda têm para oferecer.

Mais informações:

Necton

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