O turismo português voltou a crescer em 2025, mas os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE) revelam uma mudança de ciclo. Depois de vários anos de forte expansão, o setor entra agora numa fase de crescimento mais moderado, marcada por uma maior diversificação dos mercados, pela redução gradual da sazonalidade e por um desempenho económico que continua a reforçar o seu peso na economia nacional. Mais do que novos recordes, os indicadores apontam para uma evolução sustentada e para um modelo de desenvolvimento cada vez mais resiliente.
Crescimento sustentado num novo ciclo
O relatório Estatísticas do Turismo – 2025, publicado pelo INE em julho de 2026, estima que Portugal tenha recebido 29,9 milhões de turistas não residentes em 2025, mais 3,3% do que no ano anterior. Embora o crescimento seja inferior ao registado em 2024 (+9,3%), confirma que o país continua a afirmar-se como um destino turístico de referência num contexto internacional igualmente favorável, em que as chegadas de turistas cresceram cerca de 4% a nível mundial.
Também a atividade do alojamento turístico manteve uma trajetória positiva. A generalidade dos meios de alojamento acolheu 34,8 milhões de hóspedes e registou 89,7 milhões de dormidas, correspondendo a aumentos de 2,2% e 1,6%, respetivamente. Apesar do abrandamento da procura internacional, o mercado interno revelou um dinamismo assinalável, com um crescimento de 3,5% nas dormidas, compensando parcialmente a evolução mais moderada dos mercados externos, que cresceram apenas 0,6%.
Mercados mais diversificados
Um dos sinais mais relevantes da evolução do turismo português é a crescente diversificação dos mercados emissores. O Reino Unido continua a ser o principal mercado em número de dormidas, seguido da Alemanha e de Espanha. No entanto, os Estados Unidos aproximaram-se da terceira posição, registando um crescimento de 5,3% nas dormidas e reforçando o seu peso no turismo nacional. Em paralelo, mercados como a Polónia destacaram-se pelos fortes ritmos de crescimento, enquanto a dependência do mercado britânico atingiu um dos níveis mais baixos da última década, refletindo uma maior distribuição da procura internacional.
Mais equilíbrio entre regiões e ao longo do ano
A distribuição territorial da atividade turística também evidencia uma evolução interessante. Embora o Algarve continue a ser um dos principais destinos nacionais, foi o Norte que registou o maior crescimento das dormidas (+4,0%), seguido da Região Autónoma da Madeira (+3,9%) e do Alentejo (+3,8%). Apenas a Península de Setúbal e o Algarve registaram ligeiros decréscimos. Estes resultados mostram que o crescimento do turismo está cada vez mais repartido pelo território, contribuindo para uma utilização mais equilibrada dos recursos e para novas oportunidades de desenvolvimento regional.
Outro indicador que reforça esta tendência é a redução da sazonalidade. Em 2025, o peso dos três meses de maior procura no total anual desceu para 36,4%, o valor mais baixo desde 2013. Este comportamento revela uma distribuição mais homogénea da procura ao longo do ano, permitindo melhorar a utilização das infraestruturas, criar maior estabilidade no emprego e reduzir a pressão sobre os destinos durante os períodos tradicionalmente mais intensos.
Um setor que continua a criar valor
Apesar do crescimento mais moderado da procura, o desempenho económico do setor manteve-se bastante positivo. Os proveitos totais dos estabelecimentos de alojamento turístico aumentaram 6,9%, atingindo 7,1 mil milhões de euros, enquanto os proveitos de aposento cresceram 6,6%, para 5,5 mil milhões de euros. Também os indicadores de rentabilidade evoluíram favoravelmente, com o rendimento médio por quarto disponível (RevPAR) a subir para 72,4 euros e o rendimento médio por quarto ocupado (ADR) a atingir 124,5 euros. Estes resultados demonstram que o setor continua a criar valor, mesmo num contexto de menor crescimento da procura.
O turismo continua igualmente a desempenhar um papel determinante na economia portuguesa. O saldo da balança turística atingiu 22 mil milhões de euros em 2025, mais 5,1% do que no ano anterior, mantendo Portugal na terceira posição entre os países da União Europeia com maior saldo positivo nesta área. As receitas provenientes das exportações de turismo ascenderam a 29,1 mil milhões de euros, reforçando o contributo do setor para as exportações nacionais e para o equilíbrio das contas externas.
Preparar o futuro do turismo
Os dados agora divulgados pelo INE mostram, assim, um setor que continua a crescer, mas cuja evolução já não depende apenas do aumento do número de visitantes. A diversificação dos mercados internacionais, a redução da sazonalidade, a valorização das receitas e uma distribuição territorial mais equilibrada apontam para um turismo mais sustentável e competitivo. Num contexto internacional marcado por maior incerteza, estes indicadores reforçam a importância da inovação, da qualificação e do investimento como fatores essenciais para consolidar o turismo como um dos principais motores da economia portuguesa.
Fonte: Estatísticas do Turismo – 2025 – Instituto Nacional de Estatística, julho 2026
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