Nova tecnologia valoriza biomassa florestal para a defesa
O projeto NITROTEC cria soluções sustentáveis para a área da defesa a partir de biomassa florestal.

Uma alternativa sustentável para materiais energéticos
A operação NITROTEC – Tecnologia de celulose funcionalizada para Aplicação em propelentes, promovida pela Optimal Defence e cofinanciada pelo COMPETE 2030, pretende desenvolver soluções inovadoras para a produção de materiais energéticos utilizados em munições, respondendo aos atuais desafios de abastecimento de matérias-primas críticas na área da defesa.
Num contexto internacional marcado por conflitos armados e pela crescente pressão sobre as cadeias de fornecimento globais, o projeto procura criar alternativas sustentáveis ao algodão, atualmente a principal fonte de celulose utilizada na produção de nitrocelulose, componente essencial das pólvoras militares. A aposta passa pela valorização da biomassa florestal nacional como matéria-prima estratégica para a produção destes materiais.
Segundo Filipe Duarte, CEO da Optimal Defence, “o projeto NITROTEC representa uma resposta estratégica e inovadora aos atuais desafios de autonomia europeia na produção de materiais energéticos para a área da defesa, promovendo o desenvolvimento de tecnologias sustentáveis baseadas na valorização da biomassa florestal nacional”.
Valorizar recursos nacionais e reciclar pólvoras militares
O projeto pretende estudar de que forma a celulose proveniente da biomassa florestal pode ser funcionalizada através de processos de nitração, permitindo a sua incorporação em propelentes com níveis de desempenho e segurança compatíveis com os exigentes padrões da NATO e da União Europeia.
A investigação irá focar-se em aspetos como a estabilidade, segurança, propriedades mecânicas e eficiência da nitrocelulose produzida a partir de fibras florestais, procurando ultrapassar limitações identificadas em tentativas anteriores desenvolvidas noutros países.
Em paralelo, o NITROTEC irá também explorar a possibilidade de reciclar pólvoras militares desqualificadas, através de processos de renitração que permitam recuperar as propriedades necessárias para reutilização militar. Atualmente, grandes quantidades destes materiais energéticos são destruídas por não cumprirem determinados requisitos técnicos e de segurança.
O contributo do COMPETE 2030
O apoio do COMPETE 2030 assume um papel central no desenvolvimento do projeto, permitindo reunir competências científicas, tecnológicas e industriais fundamentais para responder aos desafios associados à produção de materiais energéticos sustentáveis.
Como destaca Filipe Duarte, “Com o apoio do COMPETE 2030, tornou-se possível reunir um consórcio multidisciplinar de excelência, integrando empresas, centros de tecnologia e inovação e universidades, para desenvolver soluções pioneiras na produção de nitrocelulose a partir de celulose de origem florestal e na reciclagem de pólvoras militares. Este apoio é determinante para acelerar a investigação, potenciar a transferência de conhecimento para a indústria e posicionar Portugal na linha da frente da inovação em materiais energéticos sustentáveis.”
Conhecimento científico ao serviço da autonomia estratégica
O consórcio pretende desenvolver conhecimento capaz de estabelecer uma relação entre as propriedades físicas e químicas da celulose, os processos de nitração e o desempenho da nitrocelulose obtida. Esse trabalho permitirá definir métodos de processamento adequados para garantir a estabilidade, segurança e eficácia dos propelentes produzidos.
Ao mesmo tempo, o projeto procura contribuir para a autonomia estratégica europeia na área dos materiais energéticos críticos, reduzindo a dependência de fornecedores externos e promovendo a valorização de recursos endógenos.
Reforçar a competitividade tecnológica nacional
Além da componente científica e tecnológica, o NITROTEC pretende afirmar Portugal como um polo de inovação no desenvolvimento de materiais energéticos avançados, criando condições para integrar cadeias internacionais de fornecimento ligadas à defesa.
O projeto assume também uma forte dimensão estratégica ao combinar inovação, sustentabilidade e valorização da biomassa florestal nacional, contribuindo simultaneamente para o reforço da competitividade tecnológica portuguesa.
Nas palavras de Filipe Duarte, o projeto contribuirá “simultaneamente para a autonomia estratégica europeia, para a valorização de recursos endógenos e para o reforço da competitividade tecnológica nacional”.
Links
Optimal Defence | Website
Partilhar
Agenda
14 de Junho 2026