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IA reforça a capacidade de deteção e previsão de doenças cardíacas

O CLAdvanced recorre à IA para melhorar a deteção, monitorização e previsão de doenças cardíacas, apoiando decisões clínicas mais rápidas e precisas.

18 de Junho 2026 | Notícias

As doenças cardiovasculares continuam a ser a principal causa de morte em todo o mundo, representando um dos maiores desafios para os sistemas de saúde. Apesar dos avanços tecnológicos e clínicos, o diagnóstico precoce e a monitorização eficaz destas patologias continuam a ser determinantes para melhorar os resultados terapêuticos e reduzir a mortalidade. É neste contexto que surge a operação CLAdvanced – CardioLife Advanced, promovida pela Cardiolife, em consórcio com o INESC TEC e a Cardio-On, e cofinanciada pelo COMPETE 2030.

Uma nova geração de ferramentas para apoio ao diagnóstico

O projeto pretende desenvolver uma solução avançada de deteção, monitorização e previsão de doenças cardíacas através da utilização de Inteligência Artificial (IA). A iniciativa procura responder a algumas das principais limitações dos atuais sistemas de análise de eletrocardiogramas (ECG) e exames Holter, reforçando a capacidade de apoio à decisão clínica.

Como refere João Pedro Leite, COO da Cardiolife, “As doenças cardiovasculares continuam a ser a principal causa de morte a nível mundial, e o eletrocardiograma é, ainda hoje, o exame complementar de diagnóstico mais realizado em todo o mundo. É neste cruzamento entre a dimensão do problema e a ubiquidade do exame que o CLAdvanced ganha sentido.”

Atualmente, a interpretação de ECGs e Holters exige conhecimento especializado e experiência clínica, estando sujeita a variabilidade entre observadores e à disponibilidade de cardiologistas. O CLAdvanced pretende reduzir estas limitações através de algoritmos capazes de analisar automaticamente os exames e fornecer informação clara e fundamentada aos profissionais de saúde.

Diagnóstico mais preciso e previsão de patologias

Um dos principais objetivos da operação é aumentar a capacidade de identificação de patologias cardíacas complexas ou raras, muitas vezes difíceis de detetar através dos métodos convencionais. Entre as condições visadas encontram-se síndromes como Wolff-Parkinson-White, Brugada e Ritmo Auricular Ectópico, bem como eventos cardíacos complexos, incluindo alguns tipos de enfarte do miocárdio e bloqueios avançados.

Paralelamente, o projeto aposta fortemente na componente preditiva. Através da análise de padrões subtis presentes nos ECGs, os novos modelos de IA procurarão antecipar o desenvolvimento de patologias como a fibrilação auricular, permitindo uma intervenção mais precoce e potencialmente mais eficaz.

Segundo João Pedro Leite, “Na Cardiolife, estamos a desenvolver uma nova geração de algoritmos de inteligência artificial para análise de ECG e Holter, com o objetivo de elevar o nosso software a um patamar de desempenho clínico que poucos players a nível europeu conseguem alcançar e fazê-lo a partir do Porto, em parceria com o INESC TEC e a Cardio-On.”

Monitorização contínua e integração de múltiplas fontes de dados

Outra vertente inovadora do CLAdvanced passa pelo desenvolvimento de ferramentas de monitorização de longa duração, capazes de analisar automaticamente exames Holter e identificar eventos clinicamente relevantes em grandes volumes de dados.

O projeto prevê ainda a integração de informação proveniente de diferentes dispositivos, incluindo equipamentos de consumo como smartwatches e bandas de fitness. Esta abordagem permitirá criar sistemas de monitorização contínua e soluções de rastreio populacional, contribuindo para a deteção precoce de arritmias e outras condições cardíacas potencialmente graves.

Complementarmente, serão desenvolvidas ferramentas de visualização avançada e relatórios estruturados que permitam aos clínicos compreender facilmente os fundamentos das conclusões apresentadas pelos algoritmos, reforçando a confiança na utilização destas tecnologias.

O contributo do COMPETE 2030

A concretização desta ambição tecnológica e científica beneficia do apoio do COMPETE 2030, considerado essencial para acelerar o desenvolvimento da solução e reforçar a competitividade internacional da tecnologia portuguesa na área da saúde digital.

Nesse sentido, João Pedro Leite sublinha que “O apoio do COMPETE 2030 é determinante para podermos abraçar este projeto com a ambição que ele merece. Permite-nos investir em I&D, expandir significativamente a nossa base de dados clínica anotada, e acelerar o caminho até à validação regulatória nos principais mercados internacionais. Sem este enquadramento, dificilmente conseguiríamos consolidar, num horizonte de 36 meses, todas as componentes técnicas, clínicas e regulatórias que estão a transformar o CLAdvanced num produto verdadeiramente diferenciador.”

Para o responsável da Cardiolife, o impacto do apoio vai além do financiamento direto: “Mais do que financiamento, o COMPETE 2030 dá-nos a estabilidade necessária para pensar a longo prazo, formar equipas qualificadas e manter em Portugal um ecossistema de inovação em saúde digital que tem todas as condições para competir globalmente.”

Com o CLAdvanced, o consórcio pretende contribuir para uma nova geração de soluções inteligentes de apoio à cardiologia, combinando inovação tecnológica, conhecimento científico e impacto clínico para melhorar a prevenção, o diagnóstico e o acompanhamento das doenças cardiovasculares.

Links

Cardiolife | Website

INESC TEC | Website

Cardio-On | Website

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