Apoiar as pequenas e médias empresas do setor agroalimentar na adoção de tecnologias de baixo carbono e de processos mais eficientes é o objetivo da operação DESCARBONIZA – Descarbonização do Setor Agroalimentar. Promovida pela PortugalFoods e cofinanciada pelo COMPETE 2030, a iniciativa combina capacitação, demonstração tecnológica e transferência de conhecimento para aproximar as empresas de soluções que contribuam para reduzir o seu impacto ambiental.
Num setor em que a produção de calor e as necessidades de refrigeração têm um peso significativo nos consumos energéticos, a melhoria da eficiência e a integração de energias renováveis representam oportunidades para conciliar sustentabilidade e competitividade. A operação procura também promover uma utilização mais eficiente da água e das matérias-primas e a valorização de subprodutos, numa perspetiva de economia circular.
Do diagnóstico à ação nas empresas
O ponto de partida é o Roteiro para a Descarbonização do Setor Agroalimentar, que permitiu caracterizar consumos, emissões e oportunidades de melhoria em diferentes fileiras, incluindo carnes, laticínios, bebidas, cereais e panificação e produtos hortofrutícolas. O DESCARBONIZA pretende capitalizar esse conhecimento e alargar a análise dos impactos a toda a cadeia agroalimentar.
Deolinda Silva, Diretora Executiva da PortugalFoods, enquadra a ambição da iniciativa: “O DESCARBONIZA – Descarbonização do Setor Agroalimentar constitui uma iniciativa estratégica para acelerar a transição do setor agroalimentar para uma economia de baixo carbono. Assente no trabalho desenvolvido no âmbito do Roteiro para a Descarbonização do Setor Agroalimentar, o projeto visa capacitar as PME para a adoção de soluções e tecnologias que promovam uma maior eficiência dos processos produtivos, reduzam as emissões de gases com efeito de estufa e reforcem a sua competitividade.”
Para concretizar estes objetivos, estão previstos guias práticos com recomendações, casos de estudo e ferramentas de apoio à decisão, bem como ações de capacitação destinadas a reforçar as competências organizacionais e operacionais das empresas. A divulgação de soluções será acompanhada por demonstrações práticas em contexto real, facilitando o contacto das PME com tecnologias aplicáveis aos seus processos produtivos.
Conhecimento e colaboração ao serviço da transição
A articulação entre associações empresariais e entidades do sistema científico e tecnológico constitui um dos pilares da operação. As primeiras contribuirão para mobilizar as empresas e capacitar as suas lideranças e equipas de gestão, enquanto as entidades de investigação e transferência de conhecimento apoiarão a demonstração de tecnologias e a sua aproximação ao tecido empresarial.
Como explica Deolinda Silva, “Liderado pela PortugalFoods, o consórcio integra entidades de referência do ecossistema nacional de inovação, nomeadamente a InovCluster, o Colab4Food, o Instituto Pedro Nunes, a TecMinho, a Universidade Católica Portuguesa e a Universidade do Minho, reunindo competências complementares para apoiar a transformação sustentável do setor.”
O papel do apoio à ação coletiva
A operação prevê ainda a monitorização dos resultados e a definição de formas de os valorizar após a sua conclusão, procurando prolongar o impacto do conhecimento e das ferramentas desenvolvidas.
Sobre a importância do financiamento, Deolinda Silva afirma: “O apoio do COMPETE 2030, através do Sistema de Incentivos à Ação Coletiva (SIAC), é determinante para a concretização desta ambição. Mais do que financiar iniciativas, estes instrumentos desempenham um papel fundamental na mobilização, capacitação e sensibilização das empresas para os desafios da transição climática. Através da disseminação de conhecimento, da demonstração de casos reais de sucesso e da promoção de ações coletivas de elevado efeito multiplicador, os SIAC permitem acelerar a adoção de soluções inovadoras e reduzir as barreiras à mudança, garantindo que o conhecimento gerado chega efetivamente às PME e se traduz em impacto concreto no terreno. É esta capacidade de criar derrame de conhecimento e induzir transformação à escala do setor que torna este apoio essencial para uma transição energética e verde mais rápida, eficaz e inclusiva.”
O presente aviso pretende promover um ecossistema favorável para estimular a descarbonização das atividades económicas, criando as condições necessárias para acelerar a orientação do tecido empresarial, em particular das PME, para a transição para uma economia neutra em carbono.
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