Consórcio português cria processos para validar IA clínica
Projeto cria metodologias para garantir segurança, eficácia e conformidade da IA aplicada à saúde, em linha com a nova regulação europeia.
A operação INNOVALG desenvolve soluções inovadoras para produzir microalgas de forma mais sustentável, impulsionando a bioeconomia e a inovação na indústria alimentar.

Biotecnologia para uma produção mais eficiente e sustentável
Produzir microalgas de forma mais sustentável, reduzir a pegada ambiental e criar ingredientes de elevado valor para a indústria alimentar são os objetivos da operação INNOVALG, promovida pela PhycoFerm e cofinanciada pelo COMPETE 2030. O projeto aposta no desenvolvimento de novas tecnologias de fermentação regenerativa e de variedades melhoradas de microalgas, contribuindo para acelerar a transição para uma bioeconomia mais circular e competitiva.
A operação centra-se na produção heterotrófica de microalgas, um processo que permite o crescimento das culturas sem recurso à luz, recorrendo a fontes alternativas de carbono provenientes de subprodutos agroindustriais. Esta abordagem tem potencial para aumentar significativamente a produtividade da biomassa, reduzir o impacto ambiental da produção e criar novos ingredientes destinados ao mercado dos suplementos alimentares.
Segundo Peter Schulze, Co-founder da PhycoFerm e líder do projeto INNOVALG, “A INNOVALG está a ajudar a PhycoFerm a acelerar o desenvolvimento de tecnologias de fermentação de última geração para a produção sustentável de microalgas em Portugal. Através deste projeto, estamos a desenvolver competências avançadas no desenvolvimento de estirpes, na otimização de processos de fermentação e na valorização de subprodutos industriais, contribuindo para uma bioeconomia mais sustentável e competitiva.”
Da economia circular à inteligência artificial
Um dos principais eixos da operação passa pela valorização de subprodutos da indústria agroalimentar, como soro de queijo, melaços, resíduos do arroz ou amido de batata, transformando-os em fontes de carbono para o cultivo das microalgas. Esta estratégia promove a reutilização de recursos que, de outra forma, teriam aplicações de baixo valor acrescentado, reforçando os princípios da economia circular.
Em paralelo, o projeto desenvolve novas estirpes de microalgas e integra ferramentas de inteligência artificial associadas à espectroscopia RAMAN para monitorizar, em tempo real, os processos de fermentação. Esta tecnologia permitirá otimizar a produção, melhorar a qualidade da biomassa e apoiar decisões sobre o momento ideal para a colheita, tornando o processo mais eficiente, previsível e sustentável.
A operação prevê ainda a evolução da tecnologia desde a validação laboratorial até à demonstração em ambiente operacional, aproximando-a da entrada no mercado e criando condições para a produção de ingredientes ricos em proteína e astaxantina, com propriedades nutricionais cientificamente comprovadas.
Reforçar a competitividade da biotecnologia nacional
Através da colaboração entre a PhycoFerm, a Universidade do Porto, o IST-ID e a Universidade dos Açores, a operação reúne competências complementares nas áreas da biotecnologia, fermentação, inteligência artificial, análise do ciclo de vida e valorização de subprodutos agroindustriais. O objetivo é criar soluções tecnologicamente avançadas que reforcem a competitividade da produção nacional de microalgas.
Para Peter Schulze, o apoio do COMPETE 2030 tem sido determinante para concretizar esta ambição. Como afirma, “O apoio do COMPETE 2030 é fundamental para permitir a aquisição de equipamento essencial, a criação de postos de trabalho altamente qualificados e o desenvolvimento de soluções biotecnológicas inovadoras que, de outra forma, demorariam significativamente mais tempo a chegar ao mercado. Para além de reforçar a nossa empresa, o projeto contribui para posicionar Portugal como um polo emergente na área da biotecnologia sustentável e da produção de proteínas alternativas.”
No final, Peter Schulze destaca ainda a importância do financiamento para transformar conhecimento em impacto real: “Estamos gratos pelo apoio do COMPETE 2030 e pela oportunidade de transformar a inovação científica num impacto económico e ambiental tangível.”
16 de Julho 2026