A Spin.Works está a desenvolver um instrumento inteligente que pretende aumentar a segurança e a precisão das futuras missões lunares. A solução, apoiada pelo COMPETE 2030, poderá integrar missões internacionais já a partir de 2028.
Portugal ganha espaço na nova economia lunar
A exploração da Lua voltou ao centro da agenda internacional. Agências espaciais e empresas privadas multiplicam missões, ao mesmo tempo que cresce a procura por tecnologias capazes de tornar estas operações mais seguras, eficientes e fiáveis.
É neste contexto que surge o iDLS-Demo – Instrumento Inteligente de Suporte à Descida e Aterragem Planetária – Desenvolvimento e Qualificação para Missão Lunar, promovido pela Spin.Works e cofinanciado pelo COMPETE 2030.
O projeto pretende desenvolver um instrumento inteligente que apoia as fases críticas de descida e aterragem na superfície lunar. Para isso, combina hardware espacial já validado com algoritmos avançados de navegação visual, criando uma solução pronta a integrar futuras missões. Além disso, a tecnologia foi concebida para funcionar como um componente autónomo, permitindo reduzir a complexidade técnica e os custos associados ao desenvolvimento de sistemas de navegação para missões espaciais.
Uma tecnologia com ambição global
O mercado da exploração espacial vive um novo ciclo de crescimento. Consequentemente, aumenta também a necessidade de soluções que garantam maior fiabilidade nas operações realizadas fora da Terra. O iDLS-Demo responde precisamente a esse desafio. A solução permitirá apoiar missões privadas e institucionais, aumentando a precisão das aterragens e reduzindo significativamente o risco operacional. Ao mesmo tempo, simplifica a integração desta tecnologia em diferentes plataformas espaciais, tornando-a mais acessível para futuros operadores.
Segundo Tiago Hormigo, Head of Space Business Development da Spin.Works, o projeto nasce “da vontade de desenvolver uma solução miniaturizada e inovadora para sistemas de pointing aplicados a satélites, com potencial de utilização em contextos tão exigentes como a distribuição de chaves quânticas”.
O responsável acrescenta que o objetivo passa por disponibilizar “um sistema integrado de hardware e software que possa ser instalado a bordo de qualquer missão” para melhorar a precisão e a segurança, mantendo reduzidos os requisitos de peso, consumo e custo.
Da investigação ao mercado
O projeto assenta em conhecimento desenvolvido ao longo de vários anos pela Spin.Works, nomeadamente em colaboração com a Agência Espacial Europeia, e tira partido de tecnologia que já foi validada em órbita. Esta base tecnológica permite acelerar o desenvolvimento da nova solução e reduzir o risco associado à sua futura utilização em missões reais.
Concluído o projeto, está prevista a integração do instrumento numa missão internacional de exploração lunar, constituindo um passo decisivo para a sua entrada no mercado. Como refere Tiago Hormigo, “na sequência da conclusão do projeto em 2027, o primeiro teste numa missão real de alunagem, como preparação para a sua disponibilização comercial, deverá ter lugar em 2028/9”.
Inovação portuguesa com projeção internacional
O apoio do COMPETE 2030 assume um papel determinante na concretização desta ambição tecnológica. “O apoio do COMPETE 2030 tem um papel essencial, ao permitir avançar com maior solidez no desenvolvimento e validação da tecnologia, reduzindo barreiras e criando condições para concretizar objetivos ambiciosos”, sublinha Tiago Hormigo.
Ao investir numa solução destinada ao crescente mercado da exploração lunar, a Spin.Works reforça a posição de Portugal numa indústria altamente especializada e em rápida expansão. Simultaneamente, demonstra como a investigação desenvolvida no país pode transformar-se em tecnologia com potencial para integrar algumas das mais exigentes missões espaciais da próxima década.
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