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Tecnologia desenvolvida no interior do país reforça monitorização de objetos em órbita baixa, contribuindo para uma gestão mais segura do tráfego espacial.

Uma tecnologia desenvolvida no interior do país pretende reforçar a monitorização de objetos em órbita baixa, contribuindo para uma gestão mais segura do tráfego espacial e posicionando Portugal num setor em rápida expansão.
Olhar para o espaço com mais precisão
O número de satélites e de objetos em órbita continua a crescer. Consequentemente, aumenta também a necessidade de soluções capazes de monitorizar o espaço de forma mais eficiente. É neste contexto que surge o projeto Lopes (LEO OPtical TelEscope for Space), promovido pela Atlar e cofinanciado pelo COMPETE 2030.
A iniciativa pretende investigar e desenvolver uma solução inovadora baseada em sensores óticos avançados para a monitorização e rastreamento de objetos espaciais em órbitas baixas (LEO). O objetivo passa por criar uma nova geração de telescópios leves, rápidos e com um amplo campo de visão, capazes de recolher dados avançados sobre o ambiente espacial.
Segundo Miguel Bergano, CEO da Atlar, “o apoio do COMPETE 2030 é um pilar fundamental para a viabilização do projeto Lopes, permitindo à Atlar investigar e desenvolver uma solução disruptiva de monitorização ótica para órbitas baixas (LEO)”.
Uma rede global para acompanhar o tráfego espacial
A ambição da Atlar vai além do desenvolvimento de um único equipamento. A empresa pretende criar uma rede própria de telescópios distribuídos por diferentes geografias, aumentando significativamente a cobertura do espaço orbital.
Esta infraestrutura permitirá observar os chamados Resident Space Objects (RSOs), fornecendo informação essencial para serviços de gestão de tráfego espacial. Além disso, contribuirá para antecipar riscos de colisão e melhorar a segurança das operações em órbita.
Embora o foco esteja nas órbitas baixas, a solução foi concebida para maximizar a utilização dos equipamentos. Como as observações LEO apenas podem ser realizadas durante algumas horas antes do nascer do sol e após o pôr do sol, os telescópios poderão igualmente monitorizar objetos em órbitas médias (MEO) e geoestacionárias (GEO) durante o restante período noturno.
Desta forma, a plataforma torna-se mais versátil, aumentando a capacidade de recolha de dados e a eficiência operacional.
Tecnologia desenvolvida no interior com ambição global
O projeto representa também uma aposta estratégica na valorização do território. A evolução da tecnologia até um protótipo operacional avançado permitirá reforçar a presença nacional numa área altamente especializada da economia do espaço.
Como destaca Miguel Bergano, “este cofinanciamento possibilita a transição da tecnologia de um estado de maturidade inicial para um protótipo operacional avançado (TRL 6/7), afirmando o território da Pampilhosa da Serra como um polo estratégico europeu no rastreamento de objetos espaciais e na contribuição direta para o programa EU-SST”.
Paralelamente, a iniciativa pretende criar emprego altamente qualificado e apoiar a internacionalização da empresa para mercados como o Brasil e a Austrália.
Contributo para um espaço mais seguro e sustentável
O crescimento da economia espacial exige novas respostas para garantir a utilização segura das órbitas terrestres. Nesse sentido, o projeto Lopes procura responder a um desafio estratégico para o futuro da atividade espacial.
Além de reforçar a capacidade tecnológica nacional, a solução contribuirá para a monitorização contínua do ambiente orbital e para a disponibilização de dados especializados ao setor.
Miguel Bergano sublinha ainda que o projeto “enquadra-se rigorosamente nos objetivos de transição digital e sustentabilidade do ambiente espacial, garantindo que Portugal assume um papel de relevo na ‘política de detritos zero’ e na segurança das infraestruturas críticas em órbita”.
Ao combinar inovação, investigação aplicada e uma visão internacional, o projeto Lopes posiciona Portugal entre os países que procuram desenvolver tecnologias capazes de tornar o espaço mais seguro, mais sustentável e preparado para responder aos desafios de uma nova economia assente na exploração e utilização responsável das infraestruturas espaciais.
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30 de Julho 2026