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O projeto Agrivoltec está a desenvolver uma solução inovadora que combina agricultura e energia renovável para responder aos desafios climáticos e aumentar a eficiência na utilização dos recursos.

Num contexto em que a transição energética e a resiliência agrícola se tornaram prioridades incontornáveis, a operação Agrivoltec surge como uma resposta tecnológica a desafios concretos do sector primário. Liderada pela STEELTRAX, em consórcio com a WEADD e a Universidade de Coimbra, e cofinanciada pelo COMPETE 2030, esta iniciativa propõe o desenvolvimento de soluções agrovoltaicas adaptadas à realidade portuguesa, com especial enfoque na viticultura.
A operação assenta num princípio simples, mas transformador: permitir a utilização simultânea do solo para produção agrícola e geração de energia solar, criando um modelo mais eficiente, sustentável e preparado para os desafios climáticos.
Tecnologia ao serviço da agricultura
A proposta Agrivoltec contempla o desenvolvimento de uma família de soluções estruturais metálicas e mistas integradas com tecnologias fotovoltaicas, bem como de uma plataforma digital inteligente para apoio à decisão, monitorização e operação em tempo real. O objetivo é dotar agricultores, instaladores e gestores de projeto de ferramentas que permitam otimizar tanto a produção agrícola como a energética.
Segundo Valter Xavier, CEO da STEELTRAX, “O que nos encontramos a desenvolver é uma solução fotovoltaica que permitirá proteger as culturas das ondas de calor, que são cada vez mais frequentes.” Mas a ambição da operação vai além da proteção climática. Como explica o responsável, “A solução Agrivoltec permitirá a utilização simultânea de terrenos agrícolas e de produção de energia renovável, procedendo também à recolha e armazenamento das águas pluviais, de modo que essa água possa ser usada nas culturas, nos momentos de maior necessidade. Adicionalmente, através da aplicação de sensores na planta, será possível entendermos os impactos ao nível biológico e compreendermos o comportamento das culturas, maximizando, assim, a produção agrícola.”
A operação vai além da simples instalação de painéis solares. Através da integração de sensores, inteligência artificial e análise de dados, será possível monitorizar variáveis como temperatura, humidade e irradiação solar, permitindo uma gestão mais precisa das culturas e uma adaptação dinâmica das soluções às necessidades do terreno.
Uma solução inteligente e adaptativa
Um dos elementos mais inovadores da Agrivoltec reside na sua capacidade de adaptação em função de objetivos definidos pelo agricultor. Como explica Valter Xavier, “Todas estas funcionalidades estarão integradas, permitindo que a solução se comporte como um sistema que responderá a uma função objetivo, definida pelo agricultor.”
Essa lógica adaptativa permitirá, por exemplo, privilegiar a proteção das culturas nos períodos de maior calor ou maximizar a produção energética quando as condições agrícolas assim o permitirem. Nas palavras do responsável, “Nos períodos mais quentes de Verão, a função objetivo permitirá proteger as culturas e nos meses em que não haja esta necessidade a solução irá maximizar a produção de energia, através do ajuste da inclinação dos painéis fotovoltaicos.”
Do laboratório ao terreno
A operação prevê o desenvolvimento e validação de protótipos em ambiente real, permitindo testar o desempenho das tecnologias em condições concretas de utilização. Nesse âmbito, Valter Xavier sublinha: “O projeto Agrivoltec irá construir um protótipo na Quinta Boal, na região do Douro, que permitirá a validação no terreno dos estudos que estão a ser realizados.”
Este passo será determinante para avaliar a viabilidade técnica e económica da solução, bem como o seu potencial de replicação em Portugal e noutros mercados europeus.
O valor da colaboração
A natureza colaborativa da operação é outro dos seus pontos fortes. A articulação entre empresas e academia permite cruzar capacidade industrial, inovação tecnológica e conhecimento científico, acelerando o desenvolvimento de soluções com impacto real.
Como destaca Valter Xavier, “O contributo do Compete 2030, foi e é fundamental para a concretização do presente projeto, pois proporciona a colaboração entre empresas e universidades, na busca de novas soluções e produtos, levando à criação de valor e de conhecimento científico, de uma forma agregada e construtiva.”
Mais do que um projeto tecnológico, a Agrivoltec posiciona-se como uma proposta estratégica para o futuro da agricultura sustentável. E, como resume o CEO da STEELTRAX, “O mais gratificante de tudo o que estamos a fazer é poder dizer a um agricultor que poderá maximizar a sua produção agrícola e, no fim do dia, irá também produzir energia.”
Links
STEELTRAX | Website
WEADD | Website
Universidade de Coimbra | Website
28 de Maio 2026
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