SICE - Inovação Produtiva - Territórios Baixa Densidade e Outros Territórios
MPr-2026-06
A inovação transforma a clara de ovo em embalagens alimentares sustentáveis.

Transformar um subproduto num recurso de elevado valor
A produção de Ovos Moles de Aveiro IGP é um dos símbolos da tradição doceira portuguesa, mas gera também um desafio significativo: a utilização exclusiva da gema de ovo deixa grandes quantidades de clara sem aproveitamento. Para responder a esta realidade, nasceu a operação Clara-Value, promovida pela Fabridoce – Doces Regionais e cofinanciada pelo COMPETE 2030, que aposta na investigação e desenvolvimento de soluções inovadoras de embalagem alimentar a partir da valorização da clara de ovo.
Segundo Rui Almeida, CEO da Fabridoce, “O Clara-Value nasceu de um desafio muito concreto dos Ovos Moles de Aveiro IGP e da Fabridoce em particular: Encontrar novas formas de valorizar a clara de ovo gerada no processo produtivo dos ovos moles, feitos com a gema do ovo, e transformá-la num recurso com valor económico, tecnológico e ambiental.” Para o responsável, este projeto demonstra que “a tradição e a inovação podem caminhar juntas, desenvolvendo novas soluções de embalagem alimentar de base biológica que contribuam para a circularidade, para a redução do desperdício e simultaneamente aumentando a competitividade da doçaria conventual portuguesa.”
Bioeconomia e economia circular ao serviço da inovação
A operação assenta nos princípios da bioeconomia, da circularidade e da sustentabilidade, procurando transformar um subproduto da indústria alimentar em matéria-prima para novos materiais de embalagem. Entre os objetivos está o desenvolvimento de filmes transparentes de base natural, biocompósitos com fibras de celulose, revestimentos para papéis e produtos de celulose moldada com propriedades barreira, destinados a aplicações alimentares. Estas soluções poderão ser utilizadas, por exemplo, nas embalagens dos próprios Ovos Moles de Aveiro IGP, bem como noutras aplicações no setor alimentar.
Além de reduzir o desperdício, esta abordagem pretende criar novas oportunidades de valorização económica da clara de ovo, contribuindo para equilibrar os custos de produção de um setor fortemente dependente da gema como matéria-prima.
Um consórcio multidisciplinar para criar soluções de futuro
Para concretizar esta visão, a Fabridoce lidera um consórcio que reúne empresas, entidades do sistema científico e parceiros estratégicos, combinando competências nas áreas da produção alimentar, materiais, papel e bioplásticos. Esta colaboração permite desenvolver soluções inovadoras que cumpram os exigentes requisitos de segurança e desempenho exigidos pelas embalagens alimentares.
Rui Almeida destaca igualmente a importância do financiamento europeu para tornar esta ambição possível: “O apoio do COMPETE 2030 é determinante para acelerar este percurso de investigação e desenvolvimento, permitindo reunir empresas e entidades científicas altamente especializadas no consórcio, como a Biopol, a Universidade de Aveiro, o RAIZ, e parceiros como a APOMA, a Derovo e a The Navigator Company em torno de um objetivo comum: transformar um subproduto (clara de ovo) numa oportunidade para criar novos materiais, novos produtos e novas perspetivas de mercado.”
Mais sustentabilidade para a indústria agroalimentar
Ao desenvolver materiais de base biológica capazes de substituir soluções convencionais em plástico, a operação Clara-Value contribui para reforçar a sustentabilidade ambiental e a competitividade da indústria agroalimentar portuguesa. A valorização da clara de ovo permite promover um modelo de produção mais eficiente, reduzindo desperdícios e criando novas cadeias de valor assentes na inovação e na economia circular.
Como sublinha Rui Almeida, “Mais do que responder a uma necessidade da Fabridoce e do setor, o Clara-Value pretende contribuir para uma indústria agroalimentar mais sustentável, inovadora e preparada para competir em mercados cada vez mais exigentes.” Uma visão que demonstra como a investigação e o desenvolvimento podem transformar um subproduto tradicional numa solução inovadora com potencial para gerar impacto económico, ambiental e tecnológico.
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16 de Julho 2026
MPr-2026-06