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Inovação transforma subprodutos agrícolas em alimentos fermentados

A operação BiOFERNUTS aposta na valorização de subprodutos da castanha e da avelã para desenvolver alimentos fermentados inovadores, conciliando investigação, sustentabilidade e economia circular.

16 de Julho 2026 | Notícias

A valorização de recursos agrícolas subaproveitados pode abrir caminho a uma nova geração de alimentos funcionais e sustentáveis. É esse o objetivo da operação BiOFERNUTS – Fermentação de Castanha e Avelã para Desenvolvimento de Kombucha e Vinagre Inovadores, promovida pela Mendes Gonçalves e cofinanciada pelo COMPETE 2030, que aposta na investigação e desenvolvimento para criar produtos inovadores a partir de subprodutos das fileiras da castanha e da avelã.

Inovação com origem nos recursos locais

A operação assenta na aplicação de processos biotecnológicos inovadores, combinando fermentações alcoólica e acética com tecnologias de sacarificação, para transformar matérias-primas habitualmente descartadas em produtos de elevado valor acrescentado.

Segundo Ana Tasso Rosa, Diretora de I&D&I da Mendes Gonçalves, o BiOFERNUTS constitui uma iniciativa estratégica de investigação e desenvolvimento que pretende criar uma nova geração de produtos fermentados através da valorização de subprodutos agrícolas atualmente pouco explorados. A responsável explica que o projeto assenta numa abordagem integrada de investigação aplicada e desenvolvimento experimental, alinhada com as tendências da alimentação saudável, da sustentabilidade e da economia circular.

Neste contexto, a operação pretende valorizar subprodutos das fileiras da castanha e da avelã através da criação de novos produtos fermentados com potencial de mercado e benefícios para a saúde. Para isso, serão desenvolvidas três soluções inovadoras: kombucha com folhas de aveleira, vinagre de castanha e avelã e vinagre de castanha e avelã com kombucha de folhas de aveleira. Como sublinha Ana Tasso Rosa, “Estes produtos, inexistentes no mercado nacional e europeu, resultam de uma abordagem de inovação de produto e de processo, explorando fermentações alcoólica e acética em matrizes pouco convencionais, após processo prévio de sacarificação.”

Ciência ao serviço da alimentação sustentável

A operação responde ao crescente interesse dos consumidores por alimentos fermentados, funcionais e produzidos de forma sustentável. Ao mesmo tempo, promove a valorização de castanhas e avelãs fora de calibre comercial, bem como das folhas resultantes da poda da aveleira, reduzindo o desperdício agrícola e reforçando os princípios da economia circular.

Os novos produtos serão alvo de uma rigorosa caracterização físico-química, microbiológica, sensorial e biofuncional, incluindo a avaliação das suas propriedades antioxidantes, antimicrobianas e hipoglicémicas. Paralelamente, serão realizados testes em escala piloto para validar os processos e preparar a futura introdução das soluções no mercado.

Ana Tasso Rosa destaca ainda que “A crescente procura por alimentos funcionais, fermentados e sustentáveis tem estimulado a inovação e diversificação da oferta no setor agroalimentar. Contudo, persistem lacunas de mercado na valorização de subprodutos de frutos secos, nomeadamente da castanha e da avelã.”

Conhecimento, colaboração e impacto territorial

A operação reúne um consórcio que integra a Mendes Gonçalves, a Cooperativa Soutos os Cavaleiros, o Instituto Politécnico de Bragança e o Centro Nacional de Competências dos Frutos Secos, conjugando conhecimento científico, experiência industrial e ligação ao setor agrícola.

Além do desenvolvimento dos novos produtos, o projeto prevê a produção de conhecimento científico, a realização de testes com consumidores, a proteção da propriedade intelectual e a definição de estratégias de exploração dos resultados. Paralelamente, promove a colaboração entre empresas, entidades do sistema científico e tecnológico e produtores, contribuindo para reforçar a competitividade do setor agroalimentar nacional e dinamizar os territórios de baixa densidade onde a operação será desenvolvida.

O papel do COMPETE 2030

Para Ana Tasso Rosa, o apoio do COMPETE 2030 desempenha um papel decisivo na concretização da operação. Como refere, “O apoio do COMPETE 2030 tem sido determinante para concretizar esta visão, permitindo a mobilização de um consórcio com competências complementares e criando as condições necessárias para transformar conhecimento em inovação com impacto económico e territorial. Este enquadramento tem possibilitado acelerar o desenvolvimento tecnológico, reduzir o risco associado à inovação e potenciar a transferência efetiva de resultados para o mercado, contribuindo para uma fileira agroalimentar mais sustentável, resiliente e competitiva.”

Ao promover a valorização de recursos endógenos através da investigação e da inovação, a operação demonstra como a ciência, a indústria e a produção agrícola podem convergir para criar soluções alimentares inovadoras que reforçam a sustentabilidade, impulsionam a economia circular e aumentam a competitividade do setor agroalimentar nacional.

Links

Mendes Gonçalves | Website

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