Um projeto nacional está a desenvolver uma solução capaz de blindar as comunicações contra as ameaças da computação quântica. Cofinanciado pelo COMPETE 2030, o M(PS)² aposta na miniaturização de sistemas de satélite para reforçar a segurança digital numa era ainda por chegar.
Uma corrida que já começou
A segurança das comunicações vive uma corrida silenciosa. Os computadores quânticos, ainda em desenvolvimento, prometem tornar obsoletos os métodos de encriptação atuais. Consequentemente, países e empresas procuram, um pouco por todo o mundo, formas de se anteciparem a essa ameaça. É nesse cenário que nasce o M(PS)², impulsionado pela entangled-space.
O projeto assenta na criação de um sistema de pointing miniaturizado, pensado para aplicações espaciais de elevada exigência técnica. Segundo Pedro Duque, CIO na entangled-space, a iniciativa “nasce da vontade de desenvolver uma solução miniaturizada e inovadora para sistemas de pointing aplicados a satélites, com potencial de utilização em contextos tão exigentes como a distribuição de chaves quânticas”. A ambição, portanto, ultrapassa a componente puramente técnica.
Inovação com propósito estratégico
Para Pedro Duque, o M(PS)² representa mais do que um avanço tecnológico isolado. Trata-se, nas suas palavras, de “um projeto que cruza inovação, especialização tecnológica e visão de futuro, contribuindo para reforçar competências nacionais numa área estratégica como a segurança das comunicações num mundo pós-quântico baseada em tecnologias espaciais”. Esta visão de futuro não é acidental. Ao passo que muitas iniciativas se concentram em resolver problemas imediatos, este projeto olha diretamente para os desafios da próxima década. Portugal posiciona-se, assim, entre os países que procuram não apenas acompanhar a transição pós-quântica, mas ajudar a moldá-la.
O financiamento que faz a diferença
Nenhum destes objetivos seria alcançável sem apoio sólido. Pedro Duque é claro quanto ao papel do COMPETE 2030 neste percurso: o financiamento “tem um papel essencial, ao permitir avançar com maior solidez no desenvolvimento e validação da tecnologia, reduzindo barreiras e criando condições para concretizar objetivos ambiciosos”.
O impacto vai além do próprio projeto. Como sublinha o responsável, este apoio “é, por isso, decisivo para transformar conhecimento em inovação com potencial de impacto real”. Uma frase que resume, afinal, o propósito de todo o programa: converter ciência avançada em valor concreto para o país. Resta agora acompanhar os próximos passos de uma tecnologia que, nascida em Portugal, pode vir a proteger comunicações à escala global.
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