SICE - Inovação Produtiva - Territórios Baixa Densidade e Outros Territórios
MPr-2026-06
A operação GOAlytics está a desenvolver uma plataforma inteligente que recorre à inteligência artificial para tornar a inspeção e manutenção de pontes mais segura, eficiente e preditiva.

A transformação digital está a chegar à gestão de infraestruturas críticas. A operação GOAlytics – Analytics and AI for Bridge Management, promovida pela BETAR em consórcio com a Universidade do Minho e o CCG/ZGDV e cofinanciada pelo COMPETE 2030, pretende desenvolver uma plataforma inteligente que combina inteligência artificial, sensores, visão computacional e visualização 3D para tornar a inspeção e manutenção de pontes mais segura, eficiente e preditiva.
Uma nova abordagem à gestão de infraestruturas
A inspeção e manutenção de pontes continuam a depender, em grande medida, de processos presenciais, morosos e exigentes, que implicam custos elevados e exposição dos técnicos a riscos. A operação GOAlytics nasce precisamente para responder a estes desafios, através do desenvolvimento de uma solução digital avançada capaz de transformar a forma como estas infraestruturas são monitorizadas e geridas.
Assente na experiência da BETAR na gestão de ativos de infraestrutura e na plataforma GOA, a operação pretende ultrapassar as limitações dos modelos atuais, colocando um modelo digital inteligente no centro do processo de inspeção. Como refere Sérgio Costa, sócio da BETAR e responsável pelo GOAlytics, “o projeto dota a nossa ferramenta de gestão de ativos, o GOA, de novos recursos, integrando inteligência artificial, visão computacional, análise preditiva e visualização 3D fotorrealista numa única plataforma”. A solução será capaz de aprender com dados históricos, antecipar padrões de degradação, identificar anomalias e apoiar a tomada de decisão em tempo real.
É esta transformação que Sérgio Costa resume ao afirmar, “O GOAlytics é um projeto de I&D que visa transformar a forma como se inspecionam e gerem pontes e outras estruturas em infraestruturas de transporte.”
Inteligência artificial ao serviço da prevenção
A plataforma integrará diversas tecnologias avançadas, entre as quais inteligência artificial, análise preditiva, sensores IoT, visão computacional, processamento de linguagem natural e visualização 3D interativa.
Um dos elementos diferenciadores será a arquitetura baseada em agentes inteligentes especializados, coordenados por um assistente conversacional suportado por modelos de linguagem de grande escala. Este sistema permitirá interpretar informação proveniente de múltiplas fontes, combinando imagens de drones, modelos 3D gerados por tecnologia laser (LiDAR) e dados térmicos, identificando automaticamente fissuras, corrosão, deformações e outros sinais de degradação estrutural.
Segundo Sérgio Costa, a plataforma “permitirá realizar inspeções remotas com deteção automática de anomalias, antecipar a degradação das estruturas e apoiar as decisões de manutenção através de um assistente conversacional. O resultado será uma gestão de infraestruturas mais segura, mais rápida e mais eficiente, reduzindo a exposição dos técnicos a riscos no terreno e maximizando os recursos dos donos de obra.”
Além da deteção de problemas, a solução desenvolverá modelos de previsão da evolução das estruturas, contribuindo para uma manutenção preventiva mais eficaz e para uma melhor gestão dos recursos.
Da investigação ao mercado internacional
A operação encontra-se atualmente numa fase inicial de desenvolvimento, prevendo atividades de investigação, desenvolvimento experimental, prototipagem e validação em ambiente operacional real, através de pilotos em pontes sob gestão da BETAR. O projeto parte de um nível de maturidade tecnológica TRL 4 e pretende atingir o TRL 7, demonstrando um protótipo totalmente funcional em contexto real.
Para Sérgio Costa, o apoio do COMPETE 2030 desempenha um papel determinante na concretização desta ambição. “Tendo em conta a dimensão do mercado nacional, pura e simplesmente não seria possível ambicionar soluções com este nível de arrojo tecnológico sem este apoio.”
O responsável destaca ainda o impacto estratégico da operação na internacionalização da empresa: “O GOAlytics vai elevar o nível das ferramentas ao dispor dos donos de obra nacionais, mas, acima de tudo, torna-nos competitivos, e tecnologicamente líderes, em mercados muito maiores onde começámos a operar, como o Brasil. Sem o COMPETE 2030, a entrada nesses mercados seria muito mais difícil; com ele, o GOA posiciona-se ao nível do que de melhor se faz no mundo nesta área.”
Ao combinar investigação científica, desenvolvimento tecnológico e validação em contexto real, o GOAlytics pretende afirmar-se como uma referência na gestão inteligente de infraestruturas, contribuindo para uma gestão e manutenção mais eficientes, seguras e sustentáveis das pontes e reforçando a competitividade da engenharia portuguesa nos mercados internacionais.
Links
BETAR | Website
Universidade do Minho | Website
CCG/ZGDV | Website
23 de Julho 2026
MPr-2026-06