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Da física de partículas à inovação nas empresas

O LIPTec procura transformar conhecimento científico em soluções úteis para empresas de diferentes setores.

8 de Outubro 2026 | Notícias

A operação LIPTec aproxima o conhecimento e as tecnologias desenvolvidos pelo LIP das empresas, com especial atenção às regiões Norte e Centro.

Conhecimento com aplicações para além do laboratório

A investigação em física de partículas exige instrumentos, métodos e soluções tecnológicas capazes de responder a questões científicas complexas. Parte desse conhecimento pode também encontrar aplicações nas empresas. É esse potencial que a operação LIPTec: Transferência de conhecimento e tecnologia do LIP para empresas procura desenvolver.

Promovida pelo LIP – Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas e cofinanciada pelo COMPETE 2030, a operação pretende reforçar a ligação entre o laboratório e o tecido empresarial.

Raul Sarmento, coordenador do LIPTec, explica o ponto de partida: “No LIP fazemos ciência fundamental. Estudamos algumas das grandes questões em aberto da física, do infinitamente pequeno ao infinitamente grande.”

Essa investigação reúne competências que ultrapassam o campo da física de partículas. Nas palavras do coordenador, “Para isso trabalhamos em grandes colaborações científicas internacionais e desenvolvemos tecnologia em áreas como a inteligência artificial, os sistemas de deteção e monitorização, a engenharia de radiação e as ferramentas multimédia. Esta componente tecnológica sempre fez parte do LIP porque na física experimental, muitas vezes, é preciso desenvolver os próprios instrumentos, métodos e soluções para conseguir responder às perguntas que queremos estudar.”

Tecnologias para diferentes setores

O LIP identifica cinco áreas com potencial de transferência: ciência de dados e inteligência artificial; sistemas de monitorização e controlo; instrumentação de deteção e eletrónica; engenharia e simulação de radiação; e ferramentas avançadas de divulgação.

As possibilidades de aplicação são variadas. A análise de imagens pode apoiar a identificação de defeitos em processos industriais, enquanto os sistemas de monitorização podem ser usados na gestão de recursos ou no acompanhamento de parâmetros ambientais. A instrumentação de alta precisão desenvolvida no laboratório tem também potencial nas áreas da saúde e da segurança industrial.

Como observa Raul Sarmento, “E algumas dessas soluções acabam por ter interesse muito para além do problema para o qual foram originalmente pensadas.”

Algumas das tecnologias identificadas pelo LIP encontram-se ainda em fase de validação laboratorial ou de demonstração em ambientes relevantes. A operação procura criar condições para desenvolver esse potencial e aproximar as soluções de aplicações economicamente viáveis.

Uma ligação mais próxima das empresas

Ao longo dos anos, o LIP estabeleceu colaborações com empresas e outras entidades, incluindo iniciativas associadas ao CERN (Conselho Europeu para a Investigação Nuclear). Contudo, muitos desses contactos resultaram de esforços individuais dos investigadores. O LIPTec procura organizar e ampliar esse trabalho através de um Gabinete de Transferência de Tecnologia, que funcionará como ponto de contacto entre o laboratório e as empresas.

Raul Sarmento descreve a origem desta iniciativa: “Foi neste contexto que, no âmbito de um projeto financiado pelo programa COMPETE 2030, nasceu o LIPTec, o gabinete de transferência de tecnologia do LIP. Com o LIPTec, começámos a olhar de forma mais sistemática para esse potencial e a falar com empresas e outras entidades do ecossistema de inovação nacional. Essas conversas estão já a abrir caminho a novas parcerias e colaborações.”

A operação prevê o mapeamento de competências e de empresas com potencial de colaboração, a produção de materiais de divulgação especializados, a realização de eventos e o apoio a projetos conjuntos. Pretende ainda aumentar o número de protocolos de transferência de tecnologia e de candidaturas a financiamento desenvolvidas com empresas.

Com polos em Braga e Coimbra, o LIP quer reforçar a valorização económica do conhecimento científico, particularmente nas regiões Norte e Centro. Ao estruturar a ligação com o tecido empresarial, o LIPTec procura dar continuidade às colaborações já iniciadas e abrir novas oportunidades para aplicar tecnologias nascidas da investigação fundamental.

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