SICE - Inovação Produtiva - Territórios Baixa Densidade e Outros Territórios
MPr-2026-06
Andreia Alves explica como o projeto SEAFILM desenvolveu uma nova geração de embalagens alimentares mais sustentáveis e biodegradáveis em meio marinho.

Testemunho de Andreia Alves, responsável pelo projeto SEAFILM
Ano após ano, milhões de toneladas de embalagens de plástico convencional acabam no ambiente. Muitas seguem pelos rios até ao oceano, onde permanecem muito para além do tempo útil da sua função. Apesar de já existirem alternativas concebidas para se degradarem, muitas delas dependem de condições controladas. No oceano, os processos são mais exigentes, mais lentos e, por isso, o problema continua longe de estar resolvido.
Foi neste contexto que nasceu o SEAFILM, um projeto estratégico da Science 351 orientado para o desenvolvimento de uma nova geração de embalagens alimentares mais sustentáveis, que se “auto-destroem” em água do mar. O ponto de partida foi a etilcelulose, um polímero de origem natural derivado da celulose, com características promissoras para a formação de filmes e boa estabilidade face à luz, ao oxigénio e à água. No entanto, por si só, este material não apresenta as propriedades mecânicas e de barreira necessárias para responder de forma eficaz às exigências da conservação alimentar. O projeto foi mais longe. Através da combinação da etilcelulose com outras moléculas de base natural, foi possível reforçar a estrutura do material, melhorar a sua resistência e otimizar as propriedades de barreira, fundamentais para garantir a proteção e conservação dos alimentos. Em paralelo, foram incorporados componentes naturais com ação antioxidante, permitindo prolongar o tempo de conservação e aumentar o valor funcional da solução desenvolvida.
O resultado é uma tecnologia disruptiva que dá origem a embalagens alimentares com desempenho adequado às necessidades da indústria, mas concebidas para um novo ciclo de vida. Através da incorporação de biomoléculas específicas, o material adquire uma funcionalidade adicional: quando entra em contacto com a água do mar, inicia um processo de transformação que conduz à sua total degradação e conversão em compostos naturais, seguros para o ambiente. Desta forma, o SEAFILM propõe uma abordagem inovadora para enfrentar um dos maiores desafios ambientais do nosso tempo, conciliando conservação alimentar, viabilidade industrial, circularidade e biodegradabilidade em meio marinho.
Os protótipos desenvolvidos no âmbito do projeto foram rigorosamente testados em laboratório, demonstrando propriedades mecânicas adequadas, desempenho de barreira eficaz e capacidade de conservação alimentar. Paralelamente, a tecnologia foi pensada para integração industrial, sendo compatível com processos existentes de produção de filmes flexíveis, o que favorece uma transição eficiente para produção em larga escala.
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Science 351 | Website
02 de Julho 2026
MPr-2026-06